Um bom ano

best nine 2015

Acho que é a primeira vez em muito tempo que digo que o meu ano foi bom. E digo-o convictamente. 2015 foi bom. Foi o meu melhor ano em muito tempo. Consegui cumprir objectivos. Consegui entrar no ensino superior e a experiência está a correr muito melhor do que eu esperava. Consegui perder 15 quilos. Consegui melhorar a minha alimentação. Consegui ir ao ginásio regularmente – e gostar, e sentir saudades de lá ir quando estive lesionado (como agora). E eu sei que isto pode parecer lamecho-inspirador (e um pouco Gustavo Santos da minha parte), mas sinto que ganhei a minha vida de volta. Que estou a conseguir controlar aquilo que me é controlável.

That being said, tenho alguns projectos para 2016. Há quem lhes chame resoluções.

  1. Manter tudo o que consegui conquistar este ano. Ou pelo menos o que me permitir continuar a ter sanidade mental.
  2. Ler livros: Leio muito, mas leio poucos livros. Vergonhoso. Ainda mais vergonhoso? Esta é uma reciclagem de uma das resoluções para 2015. Que por sua vez era uma reciclagem das resoluções para 2014. Porque é que a mantenho? Porque consegui deixar de roer as unhas.
  3. Escrever mais, melhor e de forma mais eficaz: Tenho de começar a criar uma rotina de escrita. Sentar e escrever. Demoro demasiado tempo a escrever, demasiado tempo a editar e depois distraio-me com qualquer coisa e largo o texto. Tenho um texto sobre Star Wars para acabar há duas semanas! Não pode ser.
  4. Ser mais arrumado (em tudo): O que disse no ponto atrás lembra-me disto tenho de ser mais arrumado de uma forma geral. O meu quarto é sinónimo de caos. Não pode ser.
  5. Voltar a ter um podcast regular: A Cabeça do Ned correu bem, mas é só 10 vezes por ano. Tenho de fazer mais alguma coisa. O bichinho está a chatear.
  6. 2800×1800 e/ou 2048×1536: Tinha de fazer esta.

Desejos?

  1. Sporting campeão (#EuVouLáEstar) e que o Euro 2016 corra bem.
  2. Passar ao 2º ano do curso sem cadeiras para trás.
  3. Que Star Wars: Rogue One não seja uma porcaria, que Star Trek Beyond não seja assim tão mau, que os filmes e séries da Marvel continuem a ser fixes, que a DC consiga ter bons filmes.
  4. Que os anúncios de suplementos naturais com tudo o que é apresentador televisivo terminem. (Chatos, pá!)

Boas entradas a todos.

Como conseguir algo na vida tendo uma sorte do caraças.

Neste fim-de-semana decorreu em Lisboa mais uma edição do (renomeado) The Famous Fest. Desta vez decidiram expandir o conceito para além do humor, e tentar abranger a música, o clubbing, o teatro, etc. E decidiram convidar o Markl,  o Nogueira e o Melo para uma edição ao vivo do célebre podcast Uma Nêspera no Cu [iTunes]. Até aqui tudo bem.

O que não foi bom? Os bilhetes terem esgotado antes de eu saber da existência de tal espectáculo. Quando fui à Ticketline, o que é que dizia? Esgotado. Parece que lá libertaram alguns bilhetes na manhã de Sábado, mas depressa desapareceram. Sobravam apenas os de mobilidade reduzida. E aí eu ponderei seriamente partir uma perna para ter direito ao bilhete. Mas não ia conseguir uma cadeira de rodas em tempo útil. Portanto… Estava bem f*dido.

Mas decidi ir na mesma. Peguei na minha experiência passada de “espectáculos com lotação limitada cujos bilhetes desapareceram rapidamente” (como a recente exibição de The Rocky Horror Picture Show no MOTELx) e pensei que talvez me pudesse cruzar com a ínfima possibilidade de alguém ter um bilhete a mais que me pudesse vender – sempre pelo valor de face do bilhete, nada superior a isso.

Munido de mim próprio e conseguindo improvisar um letreiro com uma caneta e uma folha A4, lá fui para o LX Factory. E estava perfeitamente consciente de que ia ser quase impossível. Na boa: Se der, dá; se não der, volto para casa. Conformadíssimo.

Entro na Fábrica, decorada para o evento com muito roxo e vermelho. Deixam-me entrar para o Lounge, sem problemas, desde que não entrasse no auditório (o que obviamente não ia fazer porque não tinha bilhete). Chego lá, letreiro na mão, elevado à zona do peito. Acho que tinha boa leitura. E, claro, tinha pessoas a rirem-se à minha volta (é perfeitamente natural).

O que se passou a seguir é resultado de um misto de várias coisas: Empreendedorismo, Coragem, Calma e muita, muita lata.

Nem dois minutos depois de ter entrado um rapaz que eu não conhecia de lado nenhum vem ter comigo. Perguntou-me se eu queria um bilhete, eu disse que sim, e a pequena confusão que se criou à minha volta nos segundos seguintes –  com produtor e fotógrafo do festival ali à volta – ainda me fez pensar que teria sido alguém da organização. Mas não: Foi apenas um rapaz, um espectador, que estava com dois amigos e tinha um bilhete a mais. E eu disse que sim. Quanto era? €0. Era um convite. Que ele também teve a decência de não vender.

Rapaz, se estás a ler isto, muito obrigado. És dos bons. Há cada vez menos pessoas assim no mundo. Mantém-te assim.

O que é que aprendi com isto? Se querem uma coisa, façam por isso. Vão à luta. Se foi sorte? Não tenho dúvidas que foi. Mas se não tivesse tentado é que não conseguia mesmo.

A irrelevância da escala de importância de problemas

Sim, a situação dos refugiados é um problema. Tal como é a dos desempregados. Tal como a dos animais abandonados. Tal como a falta de possibilidade de co-adopção por casais homossexuais, a desertificação do interior, a ditadura na Coreia do Norte, a destruição de Património da Humanidade pelo Estado Islâmico, a concentração das salas de cinema em formato multiplex deixando as cidades sem salas de cinema de rua, o excesso de novelas e a falta de outros formatos no primetime português, a falta de modernização do futebol, o filme que é uma porcaria mas arrasta 500 mil pessoas para o ver, se a Coca-Cola é melhor que a Pepsi, a McDonald’s não querer colaborar com a Burger King, ser gordo, ser magro, as pilhas do comando irem abaixo… Acho que já perceberam.

Tudo isto são problemas. De menor ou maior escala, são problemas. E encarem isto que vos vou dizer: Não se podem preocupar com todos. É impossível. Absolutamente impossível. A vossa sanidade mental não aguenta a preocupação constante com tudo de mau que nos rodeia.

Por isso, tal como em tudo na vida, temos que ser selectivos. Não estou a dizer que os problemas são equiparáveis, nada disso. Nem que têm uma escala de importância. São apenas diferentes. As pessoas identificam-se mais com alguns problemas e menos com outros. Porquê? Porque sim. Não tem explicação lógica. Por isso, não digam coisas idiotas como “preocupas-te com os animais e não te preocupas com os refugiados”, “preocupas-te com os refugiados e não te preocupas com os desempregados” ou “preocupas-te com os desempregados mas não te preocupas em baixar o tampo da sanita”.

Por isso, vamos ver se nos entendemos: Não é por uma pessoa não publicar uma foto no Facebook de um miúdo sírio de 3 anos que deu à costa que não se preocupa com a crise dos refugiados ou com a guerra na Síria. Ou por publicar outra coisa qualquer dedicada a outra causa social. Se se preocupam realmente com algo, parem de criticar os outros que também se preocupam realmente com algo diferente daquilo que vos preocupa e façam alguma coisa. Levantem o cu da cadeira/sofá/cama/chão e façam alguma coisa, porra! Ou não levantem, façam um donativo! Mas deixem-se de criticar os outros por fazer algo que, na vossa escala de importância, é menor. Não podemos resolver os problemas todos ao mesmo tempo, mas se cada um fizer alguma coisa por algo… Podemos ter um mundo melhor.

 

Diálogos introspectivos sobre consumismo #1: Star Wars

Eu:

OK, Manuel. Vais ao #ForceDay, vais ver os novos brinquedos de Star Wars​, mas não vais gastar dinheiro. Aquele BB-8 que anda de um lado para o outro é giro, mas custa 160 euros. O capacete da personagem da Gwendoline Christie também é fixe, mas também é carote. O pack de 6 figuras?… É a um bom pr… Foca-te, Manuel! Foca-te! Não podes gastar dinheiro. Se ainda fosse em roupa… Mas a loja Disney só vende roupa de criança, e tu já os chateias há anos para venderem roupa de adulto, não era agora que as coisas iam mud…

Outra pessoa:

Manuel, há ali roupa de adulto!

Eu outra vez:

F*da-se. Pronto, Manuel. Compra lá o raio da tshirt.

“Ai, essa matemática…”

Sportinguistas: Não liguem ao que a imprensa diz. Porquê? Porque este não era o jogo dos €14M. Era, sim, o jogo dos €8,6M.* Porquê? Porque uma ida à Liga Europa através da Champions já nos dá €3M (perder o playoff) + €2,4M (fase de grupos). Isto já nos garantia, logo à partida, €5,4M.

Mais uma vez, a confirmar-se o estereótipo de que quem vai para Humanidades é para fugir à Matemática**.

*Isto é meramente uma análise objectiva aos números que a imprensa foi falando insistentemente, ou seja, os tais €14M. Não inclui, obviamente, patrocínios, market pool das receitas televisivas, bilheteiras, vendas extra de loja, valorizações/desvalorizações futuras e outros valores que lhes queiram adicionar. É também de notar que sim, eu sei que a diferença é grande. Mais uma vez: É apenas uma análise aos números referidos, não àquilo que o Sporting vai receber ou deixar de receber.

** inicialmente fui para Humanidades, sim. Mas acabei o 12º ano em Informática, so suck it.

Tondela x Sporting: Isto é Futebol. Não é Andebol, nem Voleibol, nem Judo.

Panorama Estádio Municipal de Aveiro, CD Tondela x Sporting CP
Foto panorâmica do Estádio Municipal de Aveiro antes do jogo CD Tondela x Sporting CP, jogo de abertura da Liga NOS 2015/16. 22003 espectadores. Tirada com iPhone 5s.

A equipa de Voleibol do Tondela faz-me lembrar a equipa de Andebol do Paços de Ferreira em 2006. Lembro-me que na era se falou imenso disto. Mas do de hoje… Não há nada para falar.

Aparentemente o lance que antecede o lance do penalty sobre o Gelson (ou seja, o João Pereira estar dentro do campo – que o está, diga-se) é mais importante. Então se vamos falar de lances pré-pré-golo, deixem-me dizer que a decisão de Carlos Xistra na “falta” do Naldo é correcta… No Judo. Nathan Junior fez um yuko sobre Naldo, talvez mesmo um waza-ari (não havia ali força suficiente para um ippon). Depois lá se lembraram que isto não era Judo, era Futebol. Mas disto ninguém fala. Será que interessa falar? Ah, e já agora: Aquele “movimento técnico” nem no Voleibol é válido: É transporte de bola.

Quanto ao jogo, o Sporting facilitou um pouco perante o Tondela. Apesar da maior posse de bola (bem acima dos 60%), não foram capazes de concretizar muitas situações em que o podiam fazer. Matt Jones também não esteve mal na baliza do Tondela (fez algumas boas defesas e não tem culpa em nenhum dos golos) e a equipa do interior também conseguiu algumas boas oportunidades. Não só porque o Sporting deixou, mas também porque fizeram por isso: Notou-se estudo do jogo contra o Benfica por parte de Vítor Paneira, que precisará de jogos mais calmos para mostrar claramente o que vale na I Divisão. O Tondela está na Liga NOS, mas não joga para o campeonato do primeiro lugar.

Siga. Está ganho. Só na Liga há mais 33 para vencer, sempre com pelo menos mais um que a outra equipa. E por “mais um”, estou a falar em golos. Mas na terça-feira há um jogo muito importante. E se #EuVouLáEstar, tu também devias.

Para finalizar, uma palavra para a organização do jogo: Filas longuíssimas para entrar no interior do estádio, a entrada foi feita sem qualquer tipo de revista por parte da PSP ou da empresa de segurança (apenas verificaram os bilhetes) e a fila para o bar, para além de desorganizada, tornava-se ainda mais longa visto estar apenas uma – sim, uma – caixa em funcionamento (no bar onde fui, que servia uma bancada que tinha adeptos tanto do Tondela como do Sporting). Para não falar da saída do estádio, que já é conhecida por ser má (havendo várias formas de entrar no recinto, só há uma estrada para escoar trânsito). Demorei 80 minutos a sair da confusão de trânsito do estádio (50 minutos a esperar que acalmasse, em vez de estar preso no trânsito, e 30 minutos para sair do parque de estacionamento, sair da periferia do estádio, das vias de acesso – todas entupidas – e, finalmente, a usar os meus conhecimentos de Aveiro para ir pelo meio de uma zona residencial, sem dúvida a melhor forma de fugir à confusão).

Sharknado 3: Oh Hell No! (2015)

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Ainda pior. Ainda melhor. Há spoilers, cuidado.

Como explicar este paradoxo? Simples. Os filmes do Syfy sempre foram conhecidos por serem francamente maus. Possivelmente terríveis. No entanto, o absurdo acaba por convidar a uma experiência colectiva que pode ser das melhores experiências que poderão ter numa sala de cinema (muitas vezes, o álcool ajuda). E Sharknado 3 não foi excepção. Num terceiro tomo que teve pormenores francamente bons (SHARKS! IN SPACE!) e nos quais se começa a notar alguma preocupação (os créditos iniciais são um mimo visual muito ao estilo de um blockbuster de Hollywood, nota-se um guião ligeiramente mais limpo – ou seja, sem algumas frases absolutamente desnecessárias), Anthony C. Ferrante não se esqueceu do que tornou o filme um sucesso (essencialmente, a cena final do primeiro filme, em que Fin Shepard entra por um tubarão dentro com uma moto-serra e resgata uma das raparigas com mamas do filme) e, tal como em Sharknado 2, potenciou o absurdo a um nível inenarrável. Ou aparentemente não, visto que já conseguiram fazer três filmes.

Algumas notas soltas:

  • Aquilo que rodeia Fin Shepard, personagem de Ian Ziering, está cada vez mais parecido com Johnny, personagem de Tommy Wiseau no péssimo-excelente The Room: Todos o adoram, ele é o maior, é uma excelente pessoa.
  • Mark Cuban, como actor, é um excelente empresário. Nós sabemos disso, ele sabe disso. E este tipo de filme é o único em que Cuban pode ser outra coisa que não ele próprio e ninguém se importa com isso.
  • As mamas da Cassie Scerbo estão de volta. E a Cassie Scerbo também. Cassie Scerbo que, como actriz, é uma excelente modelo.
  • Depois de Fin, Gil. A próxima nova personagem com nome da anatomia de um peixe será chamada de Teeth. Já viram, uma rapariga chamada Teeth? Era gozada para toda a vida.
  • Post Traumatic Shark Disorder.
  • Frankie Muniz a morrer como o Cavaleiro Negro dos Monty Python.
  • Pelo menos uma referência aos Marretas, uma referência ao Armageddon, George R.R. Martin a sofrer aquilo que, para muitos, já merecia.
  • Moto-serra laser. É preciso dizer mais alguma coisa?

Há uns dias li um excerto de um texto do Screen Crush no blog do meu comparsa (e não-familiar) Carlos Reis sobre uma desculpa que se dá em relação a filmes parvos: “Desliga o cérebro e desfruta do filme”, diz-se. Tal como ele (e como o autor do texto), ão posso concordar com isto. Sim, Sharknado é um filme estúpido. É um filme que, supostamente, é feito para não exigir grande esforço mental. No entanto, exige. Exige de nós, telespectadores, um ENORME esforço de suspensão da descrença e de acreditar que a ciência mostrada no filme (um tornado com tubarões causado pelo aquecimento global, tubarões a conseguir sobreviver nas nuvens, “bio-meteorologia”, tubarões – SABE-SE LÁ COMO! – a sobreviver no espaço) existe… Naquele mundinho. No universo criativo de Sharknado, desde que tenha tubarões e alterações climatéricas, Sharknado 3 provou que tudo é possível. E o que nos capacita para fazer essa suspensão da descrença e admirar os novos níveis de parvoíce a que o trabalho de Anthony C. Ferrante chega é, precisamente, o nosso cérebro.

Expectativas para o Sharknado 4? Que a April sobreviva (Sharknado sem Tara Reid não é a mesma coisa e Tara Reid sem Sharknado não é a mesma coisa – até porque a rapariga tem de sobreviver, não é?) e esperar uma justificação “científica”. E que a malta do Today Show sobreviva. Sim, eles foram atacados no final e provavelmente morreram. Mas era fixe se sobrevivessem a todos os filmes. Era um running gag com piada.

Para acabar, uma referência ao passado recente: Comecei um podcast chamado O Que Quer Que Isto Seja (link, iTunes), e no primeiro episódio deram-me a hipótese de conversar com Ian Ziering. Podem ouvi-lo aqui (e obrigado ao Syfy Portugal pela oportunidade).

NOTA: Não vou dar estrelas. Vou usar emojis de uma forma relativamente arbitrária. Porque se der estrelas vocês só ligam às estrelas. E isso não funciona (excepto no Público). Hoje há beterrabas, sendo que o valor que é dado às beterrabas é impossível de converter para estrelas, bolachas, sapos ou outros emojis. Ou seja: Leiam a porra do texto.

🍆🍆🍆🍆

O dia em que fui banhado involuntariamente em sangria. Ou seja, uma quarta-feira para um caloiro.

Esta moda das carrinhas/piaggios/tuktuks de comida começa a enervar. Don’t get me wrong, é uma forma boa de servir comida. Já vai muito para além das populares barracas de bifanas, cachorros e hambúrgueres vendidos à saída das discotecas ou à porta dos estádios. São pizzas, são cachorros gourmet, são hambúrgueres gourmet, é sushi, é vinho, é fruta, iogurtes, saladas, merendas (que são pães largos abertos no topo, por onde se coloca uma refeição inteira – cozido à portuguesa, por exemplo)… Muitas vezes, coisas tão complexas que é difícil descobrir algo que me agrade.1

Isto tudo para dizer que a Feira do Livro de Lisboa decidiu este ano investir forte neste tipo de restaurantes. Ora, de todos os que existem, apenas contei 2 onde vá poder gastar o meu dinheiro (3 se contarmos pizzas sem queijo2 na Pizzaria do Bairro), e sempre nas opções mais baratas (não porque sejam mais baratas, mas porque são mais simples). O Cachorro Vadio, que costuma estar na Praça de Alvalade, é bom. Mas não é do cachorro que vou falar hoje.

A Food Armada, uma carrinha “em chamas”, que remete para comida picante (se fosse comida picante, não teria lá ido), que está na Praça Amarela (acima da Editorial Presença) da Feira do Livro de Lisboa até dia 14 de Junho, pode ser conhecida por quem costuma ir a jogos no Multidesportivo de Odivelas (quando não faz eventos costuma estar lá estacionada). Bem tratada, com um staff simpático, um negócio de família que, pelo que o chef Gonçalo me disse, está a correr bem.

Peço um hambúrguer. Clássico. Sem mostarda nem compota de cebola; só com alface. Carne de porco e vaca, 50/50. Em bolo de caco (outra coisa que está tão na moda que já deixou de ser peculiaridade, já é hábito). 5€. Não está mau. Não peço bebida (detalhe importante para o que se segue). Desvio-me rapidamente para o lado, para perto da caixa registadora, que tem um mini-tanque cheio de sangria (não mais que 5 litros), porque a fila é grande e a Marisa, que está a recolher os pedidos, está um pouco nervosa. Porque trabalhar num espaço destes pode criar alguma claustrofobia: Para além dos poucos metros quadrados, são também poucos metros cúbicos e não ajuda que o nosso espaço de trabalho esteja sempre a abanar a cada movimento que façamos ou que a carrinha esteja estacionada num declive.

E foi aí que o tanque caiu e me acertou na boca.

Primeiro ponto positivo: A sangria estava boa. Doce, alaranjada. O álcool percebia-se no sabor, mas pouco se sentia (o que eu acabo por valorizar, não sou grande fã de bebidas alcoólicas). Também ajudou, de certa forma, a desinfectar a ferida no lábio (que, três horas depois, era um grande inchaço). O pânico instalou-se na cara da Marisa, os pedidos continuavam-se a acumular, eu estava ferido, ela queria-me devolver o dinheiro, eu recusei, mas o espectáculo tem de continuar e a comida tem de ser servida. Vim-me embora, não sem antes garantir que não havia qualquer problema da minha parte.

Apesar deste incidente, o hambúrguer estava razoavelmente bom. Não sendo o melhor hambúrguer do mundo, vale o dinheiro que se paga por ele.

Voltei lá duas horas depois. Já não havia carne. Ainda estive à conversa um pouco com eles. O Gonçalo pediu-me (mais uma vez) desculpas, a Marisa ainda recuperava do ataque de pânico que teve. É boa gente, têm ali um bom negócio com boa comida… Apenas estavam colocados num mau sítio (provavelmente a APEL vai ter isto em conta, acredito eu ingenuamente), e eu estava no pior sítio, no pior momento. São coisas que acontecem.

Quem aproveitou foram os meus amigos3, que receberam todos sangria e nachos. O que é que me diz um deles? “Agora vais ali ao stand da Gradiva esperar que te caia uma estante em cima. Assim ainda recebes a colecção completa de Calvin and Hobbes.”

Vai para a fila, amigo. De Calvin and Hobbes eu já gosto.


  1. Sou impossivelmente esquisito com a comida… Mas isso fica para outro dia. 
  2. Estão a ver? Não gosto de queijo. Esquisitice. 
  3. Mais uma vez, sou esquisito com a comida.