Iron Fist T1: Não é totalmente má!

Parti para a mais recente série Marvel no Netflix (e a última antes do crossover The Defenders, dia 18 de Agosto) com várias referências de pessoas que já tinham visto a série e que apenas pararam de a criticar quando já estavam perto do insulto. Por isso, e já alguns meses depois da estreia, vi os 13 episódios com expectativas baaaaaaaixas.

E a verdade é que não desgostei. Não, não está ao nível da 2ª temporada de Daredevil ou da 1ª de Luke Cage (um pouco instáveis, mas com excelentes apontamentos – sendo um deles Mahershala Ali, que também passou por House of Cards e é recente vencedor de um Oscar), e muito menos ao nível da 1ª do Homem sem medo ou da 1ª de Jessica Jones – de longe, a melhor até agora. E também não está ao nível da mais recente colheita de Agents of S.H.I.E.L.D.. (A 4ª temporada teve um arco final fortíssimo e já superou, há muito, os soluços da primeira temporada.)

Iron Fist sofre porque a fasquia foi colocada a um nível muito alto pelas séries que vieram antes dela. Não, nenhum dos actores é particularmente carismático, tal como nenhum dos papéis lhes dá uma capacidade de se destacar naturalmente. Os vilões são pão-sem-sal. Nem sequer os maus da fita, que vão alternando à medida que a temporada avança. (Isso não é necessariamente mau.) O Danny Rand de Finn Jones (o Loras Tyrell de Game of Thrones) safa-se, mas tem momentos de puto mimado. Quando vi a Claire Temple, que tem ligado todas estas séries, respirei de alívio. Também não ajuda ter uma premissa (milionário com pai(s) morto(s) que regressa após x anos em parte incerta onde ganhou capacidades) semelhante à de Arrow, no ar com relativo sucesso há cinco anos. No entanto, nenhum dos episódios me causou enfado. (Como aconteceu em alguns capítulos de Luke Cage.) Se isso compensa o resto das falhas? Não. Mas gostei do ritmo de Iron Fist.

Venham esses Defenders, mas é.

O Michael Bolton tem um especial do Dia dos Namorados

Lembram-se de, no post anterior, vos ter falado das pessoas que dizem “tens mesmo de ver isto”?

Antes, uma nota prévia: Voltei ao Netflix após cerca de um ano de ausência.1 Lá fui navegando pela biblioteca, com as sugestões a sugerir-me que visse muito do que já tinha visto (Arrow, The People vs. OJ, Modern Family, Daredevil… A lista continua), até que me cruzei com…

Michael Bolton’s Big, Sexy Valentine’s Day Special.

Não sabia que o Michael “friggin’” Bolton estava a preparar um destes. O poster era piroso como tudo, o que indicava que isto era bom. Aliás, não seria a primeira vez que Bolton faria um trabalho em comédia: Jack Sparrow, a música que gravou com os Lonely Island, tornou-se um clássico instantâneo e as suas participações nas últimas temporadas de Two and a Half Men foram das melhores coisas que a série teve (se bem que sempre à volta de mudanças à letra de When a Man Loves a Woman). Isto fora outros cameos não tão extraordinários. É o chamado good sport, sabe como a carreira dele é percepcionada e não se importa de brincar com isso. A prova? A premissa deste especial:

Quando o Pai Natal precisa de 75 000 novos bebés até ao Natal para dar todos os brinquedos, cabe a Michael Bolton inspirar o mundo a fazer amor numa maratona televisiva.

O especial é-nos trazido pelos já mencionados Lonely Island e pelos guionistas do Comedy Bang! Bang! (que já tinham trabalhado juntos quando Andy Samberg apresentou os Emmys, em 2015). O elenco é de luxo: malta do SNL (Maya Rudolph, Fred Armisen, Chris Parnell, Will Forte, Tim Robinson), outra malta mais ou menos conhecida (Eric André, Adam Scott, Michael Sheen, Sarah Silverman, Randall Park), Scott Auckerman (criador do podcast Comedy Bang! Bang!) e, claro, os próprios dos Lonely Island (Andy Samberg, Jorma Taccone, Akiva Schaffer). Fora cameos de malta conhecida (e do Sinbad).

Tudo isto dá algo divinal para qualquer fã dos Lonely Island (não sei quanto aos de Michael Bolton, nunca fui fã, nem quanto aos do Comedy Bang! Bang!, nunca ouvi o podcast e só vi 2/3 excertos do programa). Os momentos musicais de Bolton são o único momento em que dá para respirar e recuperar de tanto rir, mesmo que sejam interrompidos por algo extremamente ridículo.2

Possivelmente, este tipo de absurdo/ridículo era aquilo que muitos esperavam de A Very Murray Christmas, o especial de Natal de Bill Murray realizado por Sofia Coppola, que teve uma abordagem mais tradicional, menos absurda (absurdo que, por acaso, seria de esperar de Bill Murray – mas não de Sofia Coppola).

Sim, têm mesmo de ver isto. (Aqui.) Foi uma agradável surpresa do Netflix e da equipa criativa! Venham mais assim!


  1. Na altura fiz os 30 dias, não passei disso. Quando regresso, para meu espanto, reparo que me apagaram a conta. Resultado: novo registo, mais 30 dias de borla. (Yay!) E estamos a falar de uma empresa onde se pode falar livremente com os funcionários de conceitos que circulam o da pirataria e do empréstimo de contas. A meio de uma destas noites, tive de ligar para o call center deles (chamada gratuita, uma raridade nos dias que correm) e o português estava fechado. Fui redireccionado para o americano, fui atendido por um americano. Gajo cinco estrelas. Não me conseguiu resolver o problema e dava respostas de guião, mas, no meio disso, havia alguma liberdade de discurso, alguma compreensão de parte a parte e, quando lhe disse que pagaria a mensalidade mas sacava as séries na mesma para as poder ver offline (tenho um iPhone onde posso descarregar e um tablet Android/Windows em que não o consigo fazer, adivinhem onde é mais confortável ver conteúdos), ele disse que percebia perfeitamente e que, por eles, não havia problema. BRUTAL! 
  2. As músicas estão convenientemente disponíveis no novo álbum de Michael Bolton, Songs of Cinema. Álbum esse que ouvi enquanto escrevia este post. Porque não há maus momentos para ouvir Michael Bolton.