Cinema/TV? É mais Evento/Não-Evento

A diferença entre cinema e TV está-se a esbater progressivamente. Neste momento, começo a ver isto mais como evento/não-evento. A prova disso mesmo? Três antestreias repletas de pessoas (no Arrábida Shopping, no Colombo e, pelo sétimo ano consecutivo, sala cheia no El Corte Inglés) e, numa escala mais pequena, um pub com dois dos seus espaços particularmente bem preenchidos. A seguir, ficaram para ouvir três idiotas a falar do que acabaram de ver. (Sendo que um desses idiotas sou eu.)

Game of Thrones está confirmada como evento. Aliás, anteontem vi várias pessoas, em Portugal, a perguntar onde podiam ver o episódio. Não “em que canal”, mas em que espaço físico. Quer seja por não terem o Syfy subscrito, quer seja por quererem ver com amigos, quer seja por não o quererem ver sozinhos. Está a acontecer algo que foi tão bem retratado em cenas de um episódio de Dharma e Greg sobre o final de Seinfeld,1 também ele um evento televisivo. Uma situação pouco usual por cá, mas que acontece bastante lá fora em situações pontuais. (Episódios especiais, finais de temporada, de série, etc.)

Se quiserem um sítio para ver os episódios, a Cervetoria vai acompanhar a temporada. E, de duas em duas semanas, estarei lá a gravar este podcast sobre a série. Apareçam!

Obrigado ao Edgar e à Liliana, e à Cervetoria. A Cabeça do Ned está de volta!


  1. S01E22, “Much Ado During Nothing” [YouTube

#GameOfThrones e #ACabeçaDoNed: é hoje

O dia vai ser giro. A partir das 2h da manhã, fugir aos spoilers até ver o episódio, que deverá ser mais à noite, ainda antes da estreia no Syfy.1 À tarde, antes de ir à antestreia,1 montar as coisas para a gravação. Até ver o episódio, fugir aos spoilers, o que implica desligar-me quase totalmente da internet durante umas valentes horas. No meio disso, estender a roupa, fazer uns telefonemas e ler mais um bocado do livro que ando a ler.

Tenho de agradecer aos que me deixam colar cartazes por aí (e ainda tenho alguns para distribuir): negócios locais à volta do sítio onde vou gravar os episódios. Sítio esse – a Cervetoria, em Lisboa – que também tem pessoas incansáveis a torcer para que as coisas corram bem, mas sem grandes pressões. (O que é fixe, porque assim sou apenas eu a pressionar-me.) E aos que deram apoio nesta fase de lançamento da temporada. Aos contactos dos contactos e amigos dos amigos.

Por isso: Se quiserem ver Game of Thrones em companhia de pessoas, com uma sala reservada exclusivamente para esse efeito e, depois, tiverem paciência para ouvir três tipos a falar sobre o episódio que acabou de dar, venham à Cervetoria (aqui) a partir das 22h e desfrutem. Se não o puderem fazer hoje, façam-no no dia 31 de Julho, ou no dia 14 de Agosto, ou no dia 28 de Agosto. A Cabeça do Ned vai gravar ao vivo em todas essas noites. Para os outros episódios, serão (em princípio) gravações em estúdio, como sempre, na Rádio Zero.

Se forem fãs portugueses de Game of Thrones que gostem de podcasts, espero que ouçam. Aqui, no Sapo, na Apple Podcasts, no Android, na Mixcloud, na SoundCloud ou noutras aplicações que vocês usem.


  1. Não é para me gabar – ok, talvez seja um pouco – mas vou à antestreia. 

42

Algumas mudanças por aqui:

  • O blog passou a estar em http://42.manuelreis.pt.
  • O manuelreis.pt, numa primeira fase, redirecciona para o blog. Numa segunda, será uma landing page para algo a definir.
  • O feed principal d’ A Cabeça do Ned (o que alimenta o iTunes, as subscrições noutros podcatchers) passou a ser publicado a partir daqui, bem como o de futuros projectos que aí venham (ideias não faltam, falta tempo e organização).

Os social media estão a ficar com demasiada gente mesquinha, rude, mal-formada, com trocas de ideias cada vez menos saudável. E isso acaba por, de alguma forma, me afectar a cabeça. Há quem se consiga desligar mais facilmente, há quem não se consiga desligar tão facilmente. (Eu faço parte do 2º grupo.) Já pensei em afastar-me do Facebook e do Instagram durante uns tempos. Até do Twitter. (E o meu amor pelo pássaro azul está mais do que declarado.)

Este espaço acaba por ser necessário. Há ideias que não podem ser expressas em 140 caracteres, que precisam de desenvolvimento. «Então vai para o Facebook,» dizem vocês. E eu complemento: o Facebook é facilmente dismissable, ou seja, é fácil desvalorizar o que se publica por lá. Sim, há muita gente que se ajuda com posts no Facebook (acolher cães abandonados, recuperar bens roubados), e isso é óptimo. Mas o alcance das publicações é cada vez menor e o nosso feed está cada vez mais cheio de parvoíce – seja graças a insultos, clickbait, comentadores de notícias em jornais que descobriram os comentários do Facebook (insultos) ou demagogia.

Por isso, pela falta de formatação para dar inflexão ao texto (e por outras razões que não vale a pena explorar aqui – this is the internet, after all), quero o meu espaço. Logo à partida, digo-vos já que os comentários são moderados (mas não se coíbam de os fazer). Sim, os posts estão preparados para irem para os social media. (Shoutout para o Marco Almeida e para o seu plugin – básico, versátil e eficaz.) Vou falar (principalmente) de TV, Cinema e Sporting, com posts ocasionais (como este, mais pessoal) sobre outras coisas. (Livros? Comida? Tecnologia? É o que der.)

Bem-vindos ao 42.


Porquê o nome? Porquê “42” (ordinal ou por extenso)?

Isto de ter um domínio próprio é muito giro. Mas é mais vaidade do que outra coisa. É uma tentativa de ter isto ligado aquilo que é a minha vontade de vanity URLs na redes sociais (no Twitter, no Facebook e noutras a que chegue a tempo de o fazer). Por isso, surgiu a vontade de ter um blog com um nome. Que nome? 42.

Não, não é 42 por causa do enorme (jogador, activista, etc.) Jackie Robinson, embora um dos temas que aqui queira explorar seja desporto (com especial foque no Sporting). Aliás, no futebol o número 42 é considerado tão alto que, geralmente, não é atribuído a nenhum dos jogadores de topo da equipa (o único caso de que me estou a lembrar actualmente é o do Yaya Touré, do Manchester City). E não, não sou fã em particular do Wallyson Mallmann (que mantém o número, agora no Moreirense).

O 42 vem da resposta à Pergunta Derradeira Sobre a Vida, o Universo e Tudo o Resto, conceito apresentado em À Boleia Pela Galáxia (série de rádio, livro, série de TV, filme). Douglas Adams apenas escolheu o 42 porque sim, sem motivo específico. Como o próprio disse:

«A resposta para isto é muito simples. Era uma piada. Tinha de ser um número, um número ordinário e pequeno, e eu escolhi aquele. Representações binárias, base 13, monges tibetanos, isso é tudo absurdo. Sentei-me à secretária, olhei para o jardim e pensei ’42 serve’. Escrevi-o. Fim da história.»

A verdade é que a escolha (aparentemente inocente) de Adams tem vários significados na matemática (p.e., é a soma dos 6 primeiros números pares) e até na literatura, antes do Hitchhikers’ (Lewis Carroll, autor de Alice no País das Maravilhas, também tinha uma ligeira obsessão com o número).

Mas como é que a minha obsessão começou?

Quando compro/me oferecem camisolas de clubes, gosto (se for possível) de as personalizar. Tenho duas camisolas da selecção com o nome do Figo e o 7. Ele era o meu jogador preferido (ainda é – e sim, sei da existência do CR7). Mas ele tem-me desiludido como pessoa, nos últimos anos (não vou entrar em detalhes). Decidi passar a personalizar as camisolas com o meu nome. E número. E tive de escolher um número. 42. Vamos juntar o meu lado de adepto e o meu lado nerd num só lugar. E já vão 3 camisolas.

(Eu sei, a explicação pode parecer bastante básica ou estranha, mas é a explicação.)

10 Objectivos para 2017

Sim, é aquela altura do ano. Aliás, a altura do ano até já passou, mas tinha de expor as minhas ideias. E ando a trabalhar neste post, literalmente, desde o início do ano. Se querem saber quais os motivos por trás de cada opção, continuem a ler.

  1. Perder peso
  2. Ganhar músculo (abdominal, particularmente)
  3. Ler, pelo menos, 4 livros num ano (Goodreads)
  4. Escrever mais (ya, ’tá bem)
  5. Fazer mais episódios d’ A Cabeça do Ned ao vivo
  6. Começar outro podcast (para fazer entre temporadas d’ A Cabeça)
  7. Cortar nas séries
  8. Melhorar a minha capacidade de organização
  9. Começar a fazer dinheiro (sem me prostituir)
  10. Paz

Continue reading “10 Objectivos para 2017”

Um bom ano

best nine 2015

Acho que é a primeira vez em muito tempo que digo que o meu ano foi bom. E digo-o convictamente. 2015 foi bom. Foi o meu melhor ano em muito tempo. Consegui cumprir objectivos. Consegui entrar no ensino superior e a experiência está a correr muito melhor do que eu esperava. Consegui perder 15 quilos. Consegui melhorar a minha alimentação. Consegui ir ao ginásio regularmente – e gostar, e sentir saudades de lá ir quando estive lesionado (como agora). E eu sei que isto pode parecer lamecho-inspirador (e um pouco Gustavo Santos da minha parte), mas sinto que ganhei a minha vida de volta. Que estou a conseguir controlar aquilo que me é controlável.

That being said, tenho alguns projectos para 2016. Há quem lhes chame resoluções.

  1. Manter tudo o que consegui conquistar este ano. Ou pelo menos o que me permitir continuar a ter sanidade mental.
  2. Ler livros: Leio muito, mas leio poucos livros. Vergonhoso. Ainda mais vergonhoso? Esta é uma reciclagem de uma das resoluções para 2015. Que por sua vez era uma reciclagem das resoluções para 2014. Porque é que a mantenho? Porque consegui deixar de roer as unhas.
  3. Escrever mais, melhor e de forma mais eficaz: Tenho de começar a criar uma rotina de escrita. Sentar e escrever. Demoro demasiado tempo a escrever, demasiado tempo a editar e depois distraio-me com qualquer coisa e largo o texto. Tenho um texto sobre Star Wars para acabar há duas semanas! Não pode ser.
  4. Ser mais arrumado (em tudo): O que disse no ponto atrás lembra-me disto tenho de ser mais arrumado de uma forma geral. O meu quarto é sinónimo de caos. Não pode ser.
  5. Voltar a ter um podcast regular: A Cabeça do Ned correu bem, mas é só 10 vezes por ano. Tenho de fazer mais alguma coisa. O bichinho está a chatear.
  6. 2800×1800 e/ou 2048×1536: Tinha de fazer esta.

Desejos?

  1. Sporting campeão (#EuVouLáEstar) e que o Euro 2016 corra bem.
  2. Passar ao 2º ano do curso sem cadeiras para trás.
  3. Que Star Wars: Rogue One não seja uma porcaria, que Star Trek Beyond não seja assim tão mau, que os filmes e séries da Marvel continuem a ser fixes, que a DC consiga ter bons filmes.
  4. Que os anúncios de suplementos naturais com tudo o que é apresentador televisivo terminem. (Chatos, pá!)

Boas entradas a todos.

A irrelevância da escala de importância de problemas

Sim, a situação dos refugiados é um problema. Tal como é a dos desempregados. Tal como a dos animais abandonados. Tal como a falta de possibilidade de co-adopção por casais homossexuais, a desertificação do interior, a ditadura na Coreia do Norte, a destruição de Património da Humanidade pelo Estado Islâmico, a concentração das salas de cinema em formato multiplex deixando as cidades sem salas de cinema de rua, o excesso de novelas e a falta de outros formatos no primetime português, a falta de modernização do futebol, o filme que é uma porcaria mas arrasta 500 mil pessoas para o ver, se a Coca-Cola é melhor que a Pepsi, a McDonald’s não querer colaborar com a Burger King, ser gordo, ser magro, as pilhas do comando irem abaixo… Acho que já perceberam.

Tudo isto são problemas. De menor ou maior escala, são problemas. E encarem isto que vos vou dizer: Não se podem preocupar com todos. É impossível. Absolutamente impossível. A vossa sanidade mental não aguenta a preocupação constante com tudo de mau que nos rodeia.

Por isso, tal como em tudo na vida, temos que ser selectivos. Não estou a dizer que os problemas são equiparáveis, nada disso. Nem que têm uma escala de importância. São apenas diferentes. As pessoas identificam-se mais com alguns problemas e menos com outros. Porquê? Porque sim. Não tem explicação lógica. Por isso, não digam coisas idiotas como “preocupas-te com os animais e não te preocupas com os refugiados”, “preocupas-te com os refugiados e não te preocupas com os desempregados” ou “preocupas-te com os desempregados mas não te preocupas em baixar o tampo da sanita”.

Por isso, vamos ver se nos entendemos: Não é por uma pessoa não publicar uma foto no Facebook de um miúdo sírio de 3 anos que deu à costa que não se preocupa com a crise dos refugiados ou com a guerra na Síria. Ou por publicar outra coisa qualquer dedicada a outra causa social. Se se preocupam realmente com algo, parem de criticar os outros que também se preocupam realmente com algo diferente daquilo que vos preocupa e façam alguma coisa. Levantem o cu da cadeira/sofá/cama/chão e façam alguma coisa, porra! Ou não levantem, façam um donativo! Mas deixem-se de criticar os outros por fazer algo que, na vossa escala de importância, é menor. Não podemos resolver os problemas todos ao mesmo tempo, mas se cada um fizer alguma coisa por algo… Podemos ter um mundo melhor.