Em estágio: 8½ Festa do Cinema Italiano (2016)

A 9ª edição do 8½ Festa do Cinema Italiano começou ontem (30 de Março), estende-se até 7 de Abril e, para já, são só 5 os filmes que definitivamente vou ver, mas podem ser mais.  (UCI do El Corte Inglés, consultar horários aqui), Suburra (Sábado, 2, 21h30), Lo Chiamavano Jeeg Robot (Domingo, 3, 19h), Feios, Porcos e Maus (Domingo, 3, 21h30) e Quo Vado? (Quinta, 7, 21h30). Ainda estou em dúvida se vou ou não ver (novamente) A Vida É Bela (pela primeira vez) num ecrã de cinema (Domingo, 3, 16h30).

Vou tentar escrever pequenas notas sobre os filmes que vou ver. Têm sugestões para mais filmes? E, se estiverem por lá, avisem! 😉

Como conseguir algo na vida tendo uma sorte do caraças.

Neste fim-de-semana decorreu em Lisboa mais uma edição do (renomeado) The Famous Fest. Desta vez decidiram expandir o conceito para além do humor, e tentar abranger a música, o clubbing, o teatro, etc. E decidiram convidar o Markl,  o Nogueira e o Melo para uma edição ao vivo do célebre podcast Uma Nêspera no Cu [iTunes]. Até aqui tudo bem.

O que não foi bom? Os bilhetes terem esgotado antes de eu saber da existência de tal espectáculo. Quando fui à Ticketline, o que é que dizia? Esgotado. Parece que lá libertaram alguns bilhetes na manhã de Sábado, mas depressa desapareceram. Sobravam apenas os de mobilidade reduzida. E aí eu ponderei seriamente partir uma perna para ter direito ao bilhete. Mas não ia conseguir uma cadeira de rodas em tempo útil. Portanto… Estava bem f*dido.

Mas decidi ir na mesma. Peguei na minha experiência passada de “espectáculos com lotação limitada cujos bilhetes desapareceram rapidamente” (como a recente exibição de The Rocky Horror Picture Show no MOTELx) e pensei que talvez me pudesse cruzar com a ínfima possibilidade de alguém ter um bilhete a mais que me pudesse vender – sempre pelo valor de face do bilhete, nada superior a isso.

Munido de mim próprio e conseguindo improvisar um letreiro com uma caneta e uma folha A4, lá fui para o LX Factory. E estava perfeitamente consciente de que ia ser quase impossível. Na boa: Se der, dá; se não der, volto para casa. Conformadíssimo.

Entro na Fábrica, decorada para o evento com muito roxo e vermelho. Deixam-me entrar para o Lounge, sem problemas, desde que não entrasse no auditório (o que obviamente não ia fazer porque não tinha bilhete). Chego lá, letreiro na mão, elevado à zona do peito. Acho que tinha boa leitura. E, claro, tinha pessoas a rirem-se à minha volta (é perfeitamente natural).

O que se passou a seguir é resultado de um misto de várias coisas: Empreendedorismo, Coragem, Calma e muita, muita lata.

Nem dois minutos depois de ter entrado um rapaz que eu não conhecia de lado nenhum vem ter comigo. Perguntou-me se eu queria um bilhete, eu disse que sim, e a pequena confusão que se criou à minha volta nos segundos seguintes –  com produtor e fotógrafo do festival ali à volta – ainda me fez pensar que teria sido alguém da organização. Mas não: Foi apenas um rapaz, um espectador, que estava com dois amigos e tinha um bilhete a mais. E eu disse que sim. Quanto era? €0. Era um convite. Que ele também teve a decência de não vender.

Rapaz, se estás a ler isto, muito obrigado. És dos bons. Há cada vez menos pessoas assim no mundo. Mantém-te assim.

O que é que aprendi com isto? Se querem uma coisa, façam por isso. Vão à luta. Se foi sorte? Não tenho dúvidas que foi. Mas se não tivesse tentado é que não conseguia mesmo.