Temos de falar das camisolas do Sporting

Mais um ano, mais um lançamento de novas camisolas do Sporting, que vão vender como pãezinhos quentes, independentemente dos gostos. Este ano, devido à gala ter sido marcada para a véspera do aniversário, podem-se aproveitar os equipamentos logo no dia 1 de Julho: mais um dia para vender camisolas, e logo no dia de aniversário do Clube, com muita gente à volta do estádio em actividades e muito dinheiro a ser gasto na Loja Verde (que ainda é no Multidesportivo – mas devemos ter a nova Loja do pavilhão pronta até ao início da nova época). Deste ponto de vista, a mudança da data da apresentação dos equipamentos até acaba por ser uma boa ideia.

Vamos despachar o “chato” primeiro: A Stromp é a mesma pelo 3º ano consecutivo (ou pelo 2º, se quiserem contar a de 2016-17 como sendo diferente da de 2015-16 só porque tem botões em vez de molas e, nas costas, a coroa do emblema em vez do nome do Clube) e a listada é… listada. Muda o desenho da gola. Os bonecos da Macron (com novo logótipo) são pretos. Volta o leão dourado (o melhor pormenor das camisolas 2014-15) nas costas, que são verdes. (Não, não apoio costas listadas. Há problemas de legibilidade.) A Macron ainda não arranjou forma de centrar o logótipo deles na lista, algo que pode perturbar obsessivo-compulsivos. (Chateia-me, mas não me faz ficar a coçar até ficar em sangue.) E, como na época passada, há versão para mulher (mais cintada, gola mais larga). Os equipamentos de GR são diferentes, mas não têm nenhum elemento visual particularmente assinalável. Se quiserem personalizar, o tipo de letra dos números mantém-se o mesmo. (E isso é uma coisa boa.)

Depois, temos aquela camisola alternativa. Lê o resto do post clicando aqui.

#TaçaPortugalAllianz: Como não transmitir um jogo de futebol

(Hei-de escrever aqui sobre a minha experiência no Jamor. Primeira vez numa final da Taça. E ainda tenho de vos falar do Andebol! Mas hoje não vou falar sobre isso.)

Quem já foi ver jogos ao Jamor sabe que, quanto mais afastado do campo, melhor visão se tem do jogo. E o Jamor, para quem vê na TV, até tem bons ângulos e, de alguma forma, um ideal romântico.

No entanto, a RTP conseguiu estragar todo esse romantismo.

Nas últimas semanas, o Reino Unido tem sido assolado por atentados. Depois do atentado de Manchester, Ariana Grande decidiu juntar vários músicos e fazer um concerto para 50 mil pessoas, para angariar fundos para ajudar no apoio às vítimas (e às famílias das vítimas) do bombista. O concerto organizou-se relativamente depressa, bem como a transmissão televisiva global do mesmo: A Eurovisão (UER) comprou os direitos e distribuiu o sinal aos seus membros, onde está incluída a RTP. Acontece que a RTP1 já se tinha comprometido a transmitir a final da Taça de Portugal Feminina no mesmo dia (4 de Junho), com o jogo a começar às 17h15. Não há problema: a RTP não transmitiria o concerto em directo (afinal, ele também estava a ser transmitido no YouTube) e passava em diferido, a seguir ao filme do Cristiano Ronaldo.

Na noite de dia 3, um ataque terrorista em Londres torna-se na principal notícia e, obviamente, as prioridades dos noticiários mudaram. Não esperava era que as da programação também: a RTP1 decide colar-se à onda mediática e, durante a tarde, decide passar o concerto às 19h.

“Não há crise,” deve ter pensado o génio que fez isto, “afinal o jogo começa às 17h15, tem duas partes de 45 minutos e um intervalo de 15. Acaba às 19h e começamos logo com o concerto.” Quem tomou esta decisão não percebe nada de futebol e também não deve perceber que estava a abrir uma situação de discriminação sexual: Mesmo com o jogo a acabar às 19 horas em ponto, porque raio não iam transmitir a entrega da Taça em directo? Erro 1 – Discriminação face ao jogo da Taça masculina. 1 E, já agora, um jogo desta dimensão (mesmo considerando que o número de adeptos de futebol feminino é menor comparado com o masculino – estou apenas a falar da qualidade das equipas em campo) nunca, nunca iria ter apenas 45 minutos em cada parte e nunca iria acabar à hora “certa”. Para um jogo de futebol devem-se sempre contar duas horas, pelo menos. Erro 2 – Incapacidade de estabelecer horários. E era uma final. Ou seja, há sempre a hipótese de se estender para um prolongamento (2 x 15 minutos, mais pausas antes e entre as partes) e penalties (tempo variável). Uma final tem de ficar sempre com uma margem. Por isso é que começa às 17h15: Estende-se até às 20h, seja com pós-jogo ou prolongamento/penalties, come um bocado do Telejornal, se for preciso. Erro 3 – Incapacidade de esperar o inesperado. Resumidamente: tinha tudo para dar merda.

E não deu apenas merda: Deu merda de uma forma absolutamente espectacular. Como, como é que ninguém na régie da RTP não teve noção daquilo que estava a fazer? Vamos aos exemplos:

84′ de jogo: 19 horas. (Eu avisei.) O narrador do jogo, João Miguel Nunes, refere que se vai interromper a transmissão para passar para Manchester. Isso, RTP. ‘Bora interromper um jogo de futebol para mostrar qualquer outra coisa. A RTP1 decide… Fazer um split screen. Ecrã dividido em dois, barras azuis, de um lado o jogo e do outro o concerto. Som do concerto. Isto dura quatro minutos. Erro 4: Split screen.

O jogo termina empatado, 1-1, segue para prolongamento. (Eu avisei.) Na pausa entre o jogo e o prolongamento, a RTP1 decide ir para Manchester em ecrã inteiro. Algo impensável numa final masculina. (Quanto muito, seria publicidade.) A emissão retoma 5 segundos DEPOIS do pontapé de saída.

Aos 93′, alguém na régie tem uma ideia fantástica: “Meus caros, as redes sociais estão-se a passar connosco, temos de arranjar uma forma de termos as duas coisas no ar!” Resolvem fazer Picture-in-Picture: Um ecrã em cima de um ecrã. Jogo no ecrã principal, concerto num ecrã sobreposto. Som do jogo de futebol. O que faz todo o sentido: como todos sabemos, quem vê concertos gosta de ver a cenografia e os artistas e não quer saber da música. Excelente ideia, estúpidos!

Ora, este rectângulo fica numa posição complicada: Muito elevado em relação às bordas e muito, muito grande. Ora tapa a área na marcação de um canto…

… ora o Robbie Williams a cantar não-sei-o-quê-porque-não-havia-som-do-concerto tapa uma jogadora do Braga a limpar a bola junto à linha lateral…

… ora estava uma jogadora do Sporting a ser assistida e a ser tapada por 50 mil pessoas.

Erro 5: Picture-in-Picture. Como se o rectângulo não bastasse, e porque aquele espaço em baixo estava muito vazio, a RTP decide pôr MAIS UM RECTÂNGULO a dizer que aquilo era um directo de Manchester.

Nós sabemos. E o jogo fica mais tapado. Se eu quisesse ver tantos pop-ups, ia a um site de pornografia. Erro 5.1: Pop-ups. Sim, RTP1. Acabei de vos comparar a um qualquer site manhoso de pornografia. Segundos depois disto, a RTP1 tira o PiP e volta a Manchester em split screen, com som de Manchester. Dois minutos assim.

Livres perigosos? Situações de golo? Nah. Neste momento, a RTP1 estava-se a cagar. Erro 6: o operador de Serviço Público de Televisão estar-se a cagar para o que está a fazer. Começo a acreditar que foi obra do destino o golo da vitória do Sporting (aos 104′) não ter calhado num período em que a emissão estava reduzida a um rectângulo rodeado por azul e pelo Robbie Williams.

E se pensam que não pode piorar… A 2ª parte do prolongamento vai começar, toca a pôr split screen de Manchester.

Pontapé de saída da 2ª parte do prolongamento, concerto em ecrã inteiro na RTP1. 10 segundos depois lá se apercebem da merda que fizeram (desta, pelo menos) e volta ao split screen. Os primeiros 90 segundos são passados assim. Como é possível haver tanta incompetência?

Entretanto, e até ao fim do jogo, não fizeram mais nada. A não ser… transmitir as comemorações iniciais da equipa, ter o João Miguel Nunes a dizer “já voltamos” e passar para publicidade.

E para o Telejornal.

Onde abrem com notícias. E se mantêm. Não voltaram ao Jamor. E não transmitem a entrega da Taça em directo. (Só em diferido, às 20:24 – aliás, é a única referência que fazem ao jogo. O resumo e as entrevistas a intervenientes só passaram no 24 Horas, na RTP3 – mais de 4 horas depois do fim do jogo.

RTP, não vou estar com meias palavras: vocês f*deram isto, à grande. Restam-me várias questões:

  • Porquê a alteração súbita? Ânsia por audiências?
  • Porque não transmitir o concerto na RTP2? Estavam, essencialmente, com repetições. E as séries: Não era por se adiar um episódio uma semana que as 5 pessoas que as vêem atentamente ficavam chateadas.
  • Atendendo a que esta alteração para a transmissão do concerto foi feita hoje: porque não transmitir o concerto na RTP3? Os motivos seriam aceitáveis: seria algo que se enquadrava facilmente na actualidade noticiosa.
  • Porquê esta demonstração de amadorismo e de indecisão sobre o que transmitir? Porquê darem cabo da experiência de visualização de um jogo de futebol?
  • Porquê darem cabo da promoção do futebol feminino em Portugal? Transmitir um jogo desta forma, com interrupções, mostra (e confirma) que não levam isto a sério. Isto seria impensável se fosse na final da Liga dos Campeões ou na Taça masculina; porque raio é que a final da Taça Feminina é diferente? É porque são mulheres? É, não é? É porque são mulheres e vocês estão-se pouco marimbando para o futebol feminino? Vá, admitam lá. Fica-vos melhor admitir do que não dizerem nada, mesmo que a vossa admissão vos coloque numa posição de discriminação sexual.
  • A Federação Portuguesa de Futebol, vai fazer alguma coisa quanto a isto? Protestar? Algum tipo de resolução interna?

Isto vai seguir directamente para Jorge Wemans, provedor do telespectador da RTP. Não vos vou dizer para enviarem um e-mail para provedor.telespectador@rtp.pt. Ainda lhe entupimos a caixa de correio. A sério, não lhe enviem nenhum e-mail. Não lhe queremos estar a causar stress nos próximos dias.

Caso encontre alguma forma de as contactar, também seguirá para a direcção de informação (têm o “pelouro” do desporto) e para a direcção de programação – ou, como é conhecida a partir de hoje, direcção de indecisão.

Já agora: a RTP tem os direitos dos jogos da Selecção Nacional Feminina no Euro 2017. Se houver um mega-concerto de solidariedade à mesma hora de um dos jogos… estamos f*didos.


  1. Isto sem falar dos pré-jogo inexistentes, da promo que se limitava a mostrar faltas e da falta de promoção do jogo desde o momento em que foi dito que o iam transmitir e nem se deram ao trabalho de dizer quem o ia disputar. 

Um Conto de Dois Sportings

Foi o pior que vi, foi o melhor que vi, foi a era da preguiça, foi a era do sacrifício, foi a época da incredulidade, foi a época da crença, foi a temporada da falta de noção, foi a temporada do amor e da paixão, foi o Inverno do desespero, foi a Primavera da esperança, não tivemos nada que se aproveitasse, temos muito para aproveitar, deviam ter visto o jogo delas, deviam ter sido vistas por eles – em suma, um jogo foi tão distinto do outro, que o que devia ter mais importância, para o bem ou para o mal, não o foi visto dessa forma.

Perdoem-me a pobre adaptação de Dickens, mas foi o que se viu no Estádio José Alvalade hoje.

De manhã1, um Sporting que, não tendo (realisticamente) nada para disputar senão fazer por atacar o 2º lugar e tentar o apuramento directo para a Liga dos Campeões (difícil, mas não impossível) e que se tem apresentado como estando já a pensar na próxima época, mostra-nos um dos piores jogos que vi na minha vida, um jogo que marca o fim de 62 anos do Belenenses sem ganhar na condição de visitante (nunca tinha ganho em nenhum dos Estádios José Alvalade, vejam bem), e o fim de um ciclo de sete derrotas consecutivas para os azuis do Restelo.

Nas substituições, quem é que JJ decide pôr em campo? Joel “festejo um golo de empate no último minuto de compensação como se tivesse ganho a Champions” Campbell e Luc “Hernán Barcos versão 2017” Castaignos. (Sinceramente, nem achei esta entrada assim tão má – ele ajudou no desbloqueio do jogo no Restelo, atraindo os defesas azuis e dando espaço ao Bas Dost para marcar.) Nem pego na entrada do Geraldes, acho que ele ainda tem que melhorar mais um bocado (ainda está um bocado verde – pun not intended) e que há demasiado hype (muito jornal, muita tentativa de mediatismo) à volta dele. O Sporting desta época está demasiado dependente de certos jogadores. Se um ou dois faltam, está o caldo entornado. (Foi assim com Adrien, foi o drama de se arranjar um substituto de jeito para William.)

O pior disto tudo? Vê-los, a seguir ao jogo, felizes da vida, a partilharem fotos em iates ou mais preocupados em cumprir acordos de patrocínios por causa do Dia da Mãe. Há jogadores ali que eu sei que são francamente bons e que já demonstraram isso no passado (p.e.: Bryan Ruiz, William), mas que desapareceram do mapa (Ruiz desapareceu do mapa após o falhanço contra o Benfica, William perdeu velocidade após o Euro). No geral, há demasiada apatia perante os adeptos. Nem tiveram tomates para ir à Curva Sul (e o Geraldes bem os esteve a puxar).

Não sei até que ponto é que os jogadores da equipa de futebol sénior masculino do Sporting se apercebem que, para além do simbolismo e do peso da camisola e yada yada yada… Para além disso tudo, carregam o entusiasmo dos adeptos às costas. Num país que só liga ao futebol para inferiorizar os outros (não, não existe cultura desportiva em Portugal, muito menos futebolística), e mesmo sendo o Sporting um Clube eclético, é sempre o futebol que move montanhas e públicos e é sempre o futebol que entusiasma 70%/80% do público.2 E isso vê-se quando falamos do outro Sporting.

O outro Sporting, o melhor Sporting, O Sporting, foi aquele do qual uns quantos milhares fugiram3 envergonhados com a derrota. Os 6500 que assistiram à equipa feminina podiam ter sido o dobro, caso a equipa masculina tivesse feito o seu trabalho. A entrada era gratuita, o dia estava bonito, o Campo Grande estava óptimo para se apanhar um sol ou para uma sesta à sombra das árvores (em vez de ser a meio de uma partida de futebol, no meio do estádio), excelentes condições para passar o tempo entre jogos.

Não foi o melhor jogo delas: nota-se o cansaço acumulado da época (não ajuda Nuno Cristóvão não ter feito qualquer substituição, mas respeito a decisão) e o Valadares apresentou-se bem organizado. O domínio do Sporting foi absoluto, mas só se aproveitou um golo, da Diana Silva. Ana Borges esteve a mostrar porque é que merece ser considerada a melhor jogadora portuguesa da actualidade, com a assistência para o golo e a criação de jogadas rápidas pelo corredor direito. Por vezes embirro com ela (lembra-me o Nani, tanto para o bom como para o mau), mas é inegável não falar do quão importante ela tem sido para a equipa (foi ela que sofreu a falta que nos deu o pénalti frente ao Braga).

Se querem pôr fichas em alguma equipa do Sporting, o futebol feminino pode-se juntar facilmente ao Futsal. Tenho acompanhado o nascimento e crescimento deste projecto e as diferenças no entrosamento da equipa são notórias, desde o jogo de apresentação contra o SC Huelva, da 1ª Liga Espanhola (em que a equipa já tinha dado bons sinais) até agora. Jogam futebol por amor ao jogo e várias delas vivem e sentem o Sporting desde pequenas. Numa época em que se queria estabelecer as bases e lutar pelo título, estão agora a 3 pontos de o conseguir vencer e estão a um jogo da final da Taça de Portugal (4 de Junho, Jamor). No próximo domingo, sugiro-vos que passem no campo do Estoril Praia, onde se joga a 2ª mão da meia-final. (Estamos a ganhar 2-0.) Se estão no Porto (ou à volta), passem no fim-de-semana a seguir (em princípio no dia 20) pelo antigo estádio do Inatel, para o jogo (contra o Boavista) que pode garantir o primeiro campeonato às seniores femininas – e, encaremos o facto, o primeiro campeonato do futebol sénior do Sporting em 15 anos.

Nota final para o relvado, talvez o melhor pormenor do dia: nunca, em outros anos, se podia pensar em ter um double-header no estádio. Se já parecia um batatal, era da maneira que se tornava um batatal. Mas este ano, e com a remodelação completa do relvado (rega, drenagem, terra), já se pode dizer que a culpa dos maus resultados não é da relva. Não esperava que reagisse tão bem a dois jogos seguidos. (Provavelmente só reagiu bem porque no primeiro jogo não comeram a relva…) No final do segundo jogo a relva já estava a ficar um pouco seca (o sol não perdoou) mas, de resto, já dá para dizer: TEMOS RELVADO!


  1. Gostei da ideia do jogo ser feito de manhã. Mas, como isto é o Sporting, há uma lógica envolvida: se corre bem da 1ª vez, continua (mesmo que deixe de ser especial); se corre mal, nunca mais se faz. E dá-me pena: É um excelente horário para trazer famílias a Alvalade e até gente de fora de Lisboa, que, vindo a esta hora, consegue garantir uma hora de regresso a casa satisfatória. E é uma excelente hora para garantir que se joga com a luz do dia e que as bancadas estão à sombra! Os adeptos agradecem! 
  2. Olhómetro. 
  3. Os que estavam a pensar passar lá o dia – afinal, era Dia da Mãe e obviamente que há pessoas com planos para lá do Sporting. 

França, sei bem o que estão a sentir.

Foi há 12 anos. Doeu. Muito. Perder uma competição em casa, no maior estádio do país (e, consequentemente com o maior número de nós, fãs, presentes) dói. Perder contra uma equipa que não joga um cu (ou, como vocês dizem, um pescoço) dói.¹

E até gostava de ter pena de vocês. Mas:

  1. Já nos ganharam três meias-finais com um tipo que se revelou nojento e corrupto e outro de quem aprendi a gostar com o tempo mas por quem, na altura, tinha um asco tremendo;
  2. Vocês sim, jogaram de forma nojenta: Não descansaram enquanto não rebentaram com o Ronaldo (Payet, seu m*rdoso), rebentaram a chuteira ao Nani (para verem o nível de violência a que chegaram) e não sei como teria sido se o Éder não tivesse sacado algumas faltas.
  3. São franceses. I mean… São franceses.

Por isso, tenho pena dos adeptos que não representam o jogo nojento desta equipa. Eu sei o que é ver a nossa equipa perder uma competição no seu (emprestado ou oficial) estádio. Pelo menos duas vezes. E doeu. Ficou lá. E, ao contrário de nós, vocês já têm outras vitórias nesta competição e noutras. Mas bem sei que sacar dessa informação não vai melhorar o vosso estado de espírito: Esta era em casa, tinha de ser vossa. Mais do que ninguém, nós portugueses sabemos o que vocês estão a sentir.

Mas vai passar. Pelo menos um bocado.

Hoje cruzei-me com uma francesa. Agradeci-lhe. E ela deu-nos os parabéns.

¹ Se bem que a Grécia bloqueava muito mais o jogo que nós. Muito mau, mesmo.

Desculpa Éder.

A sério, desculpa-me.

Perdoa-me por gozar contigo por seres um avançado que não marca golos. Por dizer mal quando tinhas uma média de golos pior que a do Bruno Alves, do Maniche, do Meireles ou do Paulo Madeira (mas era maior que a do Danny). Sejamos francos: Todos achávamos que eras um pino (e ainda achamos, um bocado). Tinhas a 45ª melhor média de golos da Selecção, atrás de dois defesas e alguns médios que não eram propriamente médios ofensivos. Agora tens a 40ª. 31º lugar entre avançados.¹ Perdoa-me por ter dito que eras um cepo, um eucalipto no meio de pinheiros, um cone de sinalização mal aproveitado.

Depois de hoje mereces uma estátua. Deve ser feita uma estátua ao Éder, malta. Eu ponho 1€ para a construção da estátua, não posso pôr mais. Faço-te uma vénia, estendo-te uma passadeira verde-rubra. Pago-te uma imperial (apesar de teres todas as imperiais que quiseres pagas pela Sagres). Não te faço favores sexuais, mas convido quem o queira fazer a propor-se a isso. Porque mereces. Depois de todas as críticas, mereces.

Por isso, desfruta deste momento. E, mais uma vez, desculpa-me.

A sério, que se faça uma estátua ao Éder.

¹ Dados Zerozero.pt [link]

Confesso.

Confesso que houve ali momentos em que não acreditei. Nem foi com a convocatória, muito menos com o discurso megalómano de Fernando Santos (“só volto dia 11” – e afinal não foi preciso ir gastar o resto do tempo às praias da Riviera). I mean, nós temos estatuto para chegar à final. Temos – acreditem ou não – jogadores para isso.

Foi mesmo com a estratégia apresentada.

Três empates seguidos (colados a exibições terríveis) é péssimo para acreditar, especialmente depois de um jogo de encher o olho contra a Estónia.

Lá passámos. Golpe de sorte atrás de golpe de sorte. Um golo da Islândia no último minuto (já depois do Hungria x Portugal ter terminado) deu-nos este destino: O de jogar contra a França na final. (Sabem o que é que também nos podia ter dado este destino? Ganhávamos a m*rda do grupo.) Queixas de poucos (dois) dias de descanso antes do jogo com a Croácia, que vinha de uma vitória surpresa contra a Espanha. (Sabem o que é que nos dava mais dias de descanso? Ganhar a p*ta do grupo.)

Vêm os jogos a eliminar, muda o meio-campo. Aparentemente agora o Adrien (e, por consequência, o meio-campo do Sporting com rotinas e com uma solidez de envergonhar um qualquer André Gomes) já pode jogar. A esse grupo de três jogadores junta-se o puto da Musgueira (que se tem revelado uma surpresa muito para além do hype lampião – mais uma confissão: não esperava tanto dele).

Com a Croácia, o Quaresma desbloqueia. Dois dias de descanso (porque é que não fizeste para ganhar o grupo, Nandinho?), afinal, não afectaram muito. Vinham os polacos. Mas começava a haver uns zunzuns a circular: Será que a estratégia de Portugal era ganhar o Euro só com empates?

(Entenda-se: Empates no tempo regulamentar, que é o que conta como empates para o ranking FIFA e para os registos oficiais do jogo. Prolongamento e penalties é… Para desempatar. Vêem? Empates.)

“Não”, pensei eu. “Não pode.” Eu nunca fui fã da história do “boa publicidade ou má publicidade, o que quero é que falem de mim”. Essa lógica aplica-se à bola: Eu não quero ganhar competições à contabilista a fazer serviços mínimos. Ia ficar com sentimentos mistos em caso de uma vitória só com empates: Ou seja, ganhávamos, mas… Ganhávamos sem termos ganho um jogo. Não sei até que ponto é que seríamos um vencedor pior (independentemente da questão da justiça) que a Grécia (e acredito que é considerado por vários de nós que a Grécia é a pior vencedora de um torneio de sempre, pela forma como jogaram todo o Euro 2004).

Por isso, confesso: Não ia sentir um sentimento completo de vitória se Portugal não vencesse um jogo, um jogo que fosse. Não dava. É contra o meu ADN. Se é para ganhar, é para ganhar. Marcar mais golos que os outros. Não é “empata-se e depois logo se vê”.

Voltando: Polónia? Empate. Grande Renato, o puto sabe rematar à baliza. No meio de várias novas passwords de routers lá conseguimos ganhar nos penalties. O Rui Patrício, que tanto foi massacrado por “adeptos” do FC Porto há uns anos, com cartazes atrás da baliza? Já não é apenas São Patrício do Sporting, é São Patrício de Portugal. E nem é só pelos penalties deste jogo, também por algumas defesas importantes que fez.

Mas mais um empate.

No dia seguinte, o País de Gales dá uma lição à Bélgica (que não desiludiu tanto como previa – top de desilusões, por esta ordem: Rússia, Inglaterra, Bélgica) e apura-se para as meias-finais de uma grande competição de futebol pela primeira vez na sua história (não é a maior surpresa – já agora, top de surpresas, por esta ordem: Islândia, País de Gales, qualquer uma das Irlandas). Com uma equipa sólida. Com vitórias. Uma equipa vinda de um grupo com adversários (teoricamente) mais fortes que os do grupo F.

“Não são favas contadas”, pensava eu, “o País de Gales tem uma boa equipa mesmo sem o Ramsey e o Ben Davies. Ao menos não morre ninguém conhecido no dia seguinte.”

Mas continuava-me a preocupar. Se na fase de grupos foi a m*rda que vimos, se contra a Croácia desempatámos no prolongamento, se contra a Polónia só desempatámos nos penalties… Gales está com uma boa equipa.

Afinal ganhámos. 2-0. Cristiano “Michael Jordan” Ronaldo e Nani (que, aparentemente, deixou de dar mortais). Acumulado? 1V, 5E.

Nem sabem o peso que me tiraram de cima. Mostraram que conseguiam ganhar um jogo, que não queriam ir lá só com empates. E fizeram melhor (ou pior): Puseram-me a acreditar outra vez. Ainda mais.

Estou com fezada. Ronaldo de livre directo nos últimos minutos. Só para apagar um bocadinho do Platini dos registos históricos.

Sabiam que Ronaldo, Quaresma e Bruno Alves já derrotaram a França nos Sub-21 há 13 anos (playoff de apuramento para o Europeu da categoria em 2004)? O Moreira estava à baliza, tínhamos o Hélder Postiga a ponta-de-lança, o Hugo Viana estava lançado para ser o novo Rui Costa e jogavam ainda Makukula e Lourenço. Ronaldo e Bruno Alves marcaram, o Moreira defendeu um penalty (ganhámos o jogo 2-1, mas a eliminatória ficou empatada a 3 e acabou por ir a penalties). O Djibril Cissé (o loiro) foi expulso porque deu uma cacetada no Mário Sérgio. Depois rebentaram com o balneário em Clemont-Ferrand.

Se o balneário do Stade de France acabar em cacos, é bom sinal. Que acabe em cacos.

Confesso: Eu acredito. Chegou a nossa hora.

 

“Ai, essa matemática…”

Sportinguistas: Não liguem ao que a imprensa diz. Porquê? Porque este não era o jogo dos €14M. Era, sim, o jogo dos €8,6M.* Porquê? Porque uma ida à Liga Europa através da Champions já nos dá €3M (perder o playoff) + €2,4M (fase de grupos). Isto já nos garantia, logo à partida, €5,4M.

Mais uma vez, a confirmar-se o estereótipo de que quem vai para Humanidades é para fugir à Matemática**.

*Isto é meramente uma análise objectiva aos números que a imprensa foi falando insistentemente, ou seja, os tais €14M. Não inclui, obviamente, patrocínios, market pool das receitas televisivas, bilheteiras, vendas extra de loja, valorizações/desvalorizações futuras e outros valores que lhes queiram adicionar. É também de notar que sim, eu sei que a diferença é grande. Mais uma vez: É apenas uma análise aos números referidos, não àquilo que o Sporting vai receber ou deixar de receber.

** inicialmente fui para Humanidades, sim. Mas acabei o 12º ano em Informática, so suck it.

Tondela x Sporting: Isto é Futebol. Não é Andebol, nem Voleibol, nem Judo.

Panorama Estádio Municipal de Aveiro, CD Tondela x Sporting CP
Foto panorâmica do Estádio Municipal de Aveiro antes do jogo CD Tondela x Sporting CP, jogo de abertura da Liga NOS 2015/16. 22003 espectadores. Tirada com iPhone 5s.

A equipa de Voleibol do Tondela faz-me lembrar a equipa de Andebol do Paços de Ferreira em 2006. Lembro-me que na era se falou imenso disto. Mas do de hoje… Não há nada para falar.

Aparentemente o lance que antecede o lance do penalty sobre o Gelson (ou seja, o João Pereira estar dentro do campo – que o está, diga-se) é mais importante. Então se vamos falar de lances pré-pré-golo, deixem-me dizer que a decisão de Carlos Xistra na “falta” do Naldo é correcta… No Judo. Nathan Junior fez um yuko sobre Naldo, talvez mesmo um waza-ari (não havia ali força suficiente para um ippon). Depois lá se lembraram que isto não era Judo, era Futebol. Mas disto ninguém fala. Será que interessa falar? Ah, e já agora: Aquele “movimento técnico” nem no Voleibol é válido: É transporte de bola.

Quanto ao jogo, o Sporting facilitou um pouco perante o Tondela. Apesar da maior posse de bola (bem acima dos 60%), não foram capazes de concretizar muitas situações em que o podiam fazer. Matt Jones também não esteve mal na baliza do Tondela (fez algumas boas defesas e não tem culpa em nenhum dos golos) e a equipa do interior também conseguiu algumas boas oportunidades. Não só porque o Sporting deixou, mas também porque fizeram por isso: Notou-se estudo do jogo contra o Benfica por parte de Vítor Paneira, que precisará de jogos mais calmos para mostrar claramente o que vale na I Divisão. O Tondela está na Liga NOS, mas não joga para o campeonato do primeiro lugar.

Siga. Está ganho. Só na Liga há mais 33 para vencer, sempre com pelo menos mais um que a outra equipa. E por “mais um”, estou a falar em golos. Mas na terça-feira há um jogo muito importante. E se #EuVouLáEstar, tu também devias.

Para finalizar, uma palavra para a organização do jogo: Filas longuíssimas para entrar no interior do estádio, a entrada foi feita sem qualquer tipo de revista por parte da PSP ou da empresa de segurança (apenas verificaram os bilhetes) e a fila para o bar, para além de desorganizada, tornava-se ainda mais longa visto estar apenas uma – sim, uma – caixa em funcionamento (no bar onde fui, que servia uma bancada que tinha adeptos tanto do Tondela como do Sporting). Para não falar da saída do estádio, que já é conhecida por ser má (havendo várias formas de entrar no recinto, só há uma estrada para escoar trânsito). Demorei 80 minutos a sair da confusão de trânsito do estádio (50 minutos a esperar que acalmasse, em vez de estar preso no trânsito, e 30 minutos para sair do parque de estacionamento, sair da periferia do estádio, das vias de acesso – todas entupidas – e, finalmente, a usar os meus conhecimentos de Aveiro para ir pelo meio de uma zona residencial, sem dúvida a melhor forma de fugir à confusão).