24: Legacy T1: Mais valia terem estado quietos

Eu sou um grande fã de 24. Foi a primeira série que segui a sério (estou ciente do pleonasmo, vamos continuar). Foi das primeiras séries que comprei em DVD (estou ciente de que foi um péssimo investimento). Entre 2001 e 2010 fizeram oito temporadas, cada uma com 24 episódios, cada um a cobrir uma hora do dia. O conceito é interessante, relativamente bem explorado (numas temporadas mais do que noutras) e Kiefer Sutherland marcou a história da ficção com o seu Jack Bauer.

No entanto, a série foi tendo alguns percalços na produção: quando a greve dos guionistas de 2007-08 aconteceu, fizeram um filme para ligar as temporadas 6 e 7 (24: Redemption), e adiaram esta temporada um ano, para exibirem todos os episódios de seguida. A seguir à 5ª temporada (a minha preferida), senti que se encostaram à sombra da bananeira. A série acabou em 2010, com o seu legado marcado. Mas depois fizeram mais episódios, com uma 9ª temporada, encurtada para 12 capítulos, chamada Live Another Day. Eu comi e gostei. Até tinha comido mais.

O que quero dizer com isto tudo? Bem, no ano passado anunciaram o regresso da série nos mesmos moldes de Live Another Day, com 12 episódios. Mas sem Jack Bauer. Praticamente sem personagens da série original. E eu vi, porque é 24, mesmo que não seja a 10ª temporada de 24 e seja a primeira de 24: Legacy. Mesmo que o relógio seja azul e não amarelo (os créditos também mudaram de cor). É tudo estranhamente familiar: o toque dos telefones da Cisco, o ritmo, o split screen. Mas isso não salva a série de ser apenas um grande e enorme meh. Os personagens são desinteressantes (a liderar este top está Teddy Sears, que nunca foi um actor extraordinário), a forma como falam é antiquada (Bucatinsky, estou a olhar para ti), os callbacks ao passado são ou demasiado directos e óbvios (no caso da prima de Edgar Stiles) ou extremamente subaproveitados (até parece que o regresso de Tony Almeida foi anunciado apenas para as pessoas verem a série). A única referência a Kiefer Sutherland (que está a fazer Designated Survivor, na ABC/Netflix) é um crédito de produtor executivo (tradução: $$$). As sequências de acção estão bem feitas, mas muito do que acontece é extremamente previsível. Mesmo assim, conseguiram fugir ao facilitismo de terem um infiltrado na CTU, Miranda Otto nem esteve assim tão mal e até me fizeram gostar do Jimmy Smits. Em suma, é a pior das 10 temporadas de 24, mas a melhor de 24: Legacy.

Puxando a famosa frase de uma das outras séries que a FOX insiste em não manter enterradas: eu quero acreditar que a história de Jack Bauer não acabou. Já a de Eric Carter pode ficar por aqui.

Published by Manuel Reis

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