#ManuelBreaksTheInternet: Portugal em Festa

Parece que o Portugal em Festa foi cancelado. Rejubilemos por isso (yey), mas este post não é para rejubilar por isso. É porque aconteceu algo estranho.

Reparem nos números. Completamente fora do comum.

E isto no dia de aniversário do Twitter. Depois de um tweet em que dizia “Feeling ignored.” (Oh, a ironia.)

#ManuelBreaksTheInternet
(Valores dos primeiros 60 minutos após a publicação. Neste momento já ultrapassou as 43000 impressões. A taxa de engagement? Na altura do screenshot era de 7,66%.)

E depois dizem-me: “És trend.”

Gotta #LoveTwitter. Mas…

COMO É QUE ACONTECEU SE NEM SEQUER VEJO O PORTUGAL EM FESTA?

Não faço puto ideia. Por um lado, não há hashtags. Por outro, o grande Bruno Nunes (que já é um pro destas andanças agora e vai ser ainda mais pro daqui a uns anos) deu-me algumas justificações:

Trocadilho do nome do programa + notícia aguardada por grande parte da população portuguesa + horário do tweet (muita gente já por casa) + boa base de seguidores que tens.

Vamos por partes:

  • O trocadilho: Pensado (obviamente).
  • Notícia aguardada: Considerando a população jovem que habita no Twitter + a população menos jovem (calma, tipo eu) que preferia (e prefere) as tardes de filmes/abomina música pimba, ok.
  • Horário do tweet: 21h37. Perfeito.
  • Boa base de seguidores: 3100. Não me queixo (sem sobranceria).

Já agora, no Facebook também está a correr bem (107 reacções, 6 comentários e uma partilha à hora de publicação deste post). No entanto, chego a uma conclusão:

Foi sorte.

Foi mera sorte. Os factores contribuiram, sim… Mas, no final, acho que acabou por ser sorte. Não irei conseguir replicar isto tão cedo. É viral puro: Não foi feito para isso e, no entanto, aconteceu. Correu bem.

Uma nota final

O Twitter é uma ferramenta fantástica. No entanto, as constantes alterações que têm sido feitas em favor do capital e que o tornam cada vez mais igual ao Facebook têm falhado em captar utilizadores. Tal como o Pedro Guerreiro remata na sua crónica no Público, “no dia em que o Twitter se tornar no Facebook, que argumento poderá demover os seus utilizadores de migrarem para a rede rival?”

É essa a principal diferença destes 10 anos. Eu vejo o Twitter como um local para treinar a brevidade das mensagens, 140 caracteres e pronto. Menos se tiver de pôr um link, uma hashtag ou uma imagem (ou várias). 10000 caracteres? Fica igual. Tem de se tornar apelativo aos anunciantes? É claro que tem. Mas se perder aquilo que o caracteriza, será que não vai perder público? Se perder público, fará sentido ir lá vender produtos? Era bom que eles (em San Francisco) pensassem nisto.

O Twitter mudou (ou reformatou, vá) a minha vida nos últimos quase oito anos. Conheci dezenas de pessoas graças ao Twitter, a maior parte delas fantásticas. Fui a festas, a jantares, a noitadas e a casamentos. Vi aviões a amarar, hambúrgueres a serem entregues, acidentes de comboio (não foi grave, descansem), verdadeiros e falsos golpes de Estado, noites de sit-down comedy, eventos, muito humor todos os dias. Visto a camisola (literalmente, e tenho duas) com muito orgulho. Não quero que o Twitter seja um Facebook, para isso já temos um – o Facebook. Quero que o Twitter se mantenha nos seus 140 caracteres, com foco no tempo real. Só isso. Basta. Podem aparecer tweets patrocinados, desde que não interfiram. Mas não me aumentem o limite de caracteres nem me reorganizem a timeline. Para isso já serve o Facebook.

Published by Manuel Reis

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