A irrelevância da escala de importância de problemas

Sim, a situação dos refugiados é um problema. Tal como é a dos desempregados. Tal como a dos animais abandonados. Tal como a falta de possibilidade de co-adopção por casais homossexuais, a desertificação do interior, a ditadura na Coreia do Norte, a destruição de Património da Humanidade pelo Estado Islâmico, a concentração das salas de cinema em formato multiplex deixando as cidades sem salas de cinema de rua, o excesso de novelas e a falta de outros formatos no primetime português, a falta de modernização do futebol, o filme que é uma porcaria mas arrasta 500 mil pessoas para o ver, se a Coca-Cola é melhor que a Pepsi, a McDonald’s não querer colaborar com a Burger King, ser gordo, ser magro, as pilhas do comando irem abaixo… Acho que já perceberam.

Tudo isto são problemas. De menor ou maior escala, são problemas. E encarem isto que vos vou dizer: Não se podem preocupar com todos. É impossível. Absolutamente impossível. A vossa sanidade mental não aguenta a preocupação constante com tudo de mau que nos rodeia.

Por isso, tal como em tudo na vida, temos que ser selectivos. Não estou a dizer que os problemas são equiparáveis, nada disso. Nem que têm uma escala de importância. São apenas diferentes. As pessoas identificam-se mais com alguns problemas e menos com outros. Porquê? Porque sim. Não tem explicação lógica. Por isso, não digam coisas idiotas como “preocupas-te com os animais e não te preocupas com os refugiados”, “preocupas-te com os refugiados e não te preocupas com os desempregados” ou “preocupas-te com os desempregados mas não te preocupas em baixar o tampo da sanita”.

Por isso, vamos ver se nos entendemos: Não é por uma pessoa não publicar uma foto no Facebook de um miúdo sírio de 3 anos que deu à costa que não se preocupa com a crise dos refugiados ou com a guerra na Síria. Ou por publicar outra coisa qualquer dedicada a outra causa social. Se se preocupam realmente com algo, parem de criticar os outros que também se preocupam realmente com algo diferente daquilo que vos preocupa e façam alguma coisa. Levantem o cu da cadeira/sofá/cama/chão e façam alguma coisa, porra! Ou não levantem, façam um donativo! Mas deixem-se de criticar os outros por fazer algo que, na vossa escala de importância, é menor. Não podemos resolver os problemas todos ao mesmo tempo, mas se cada um fizer alguma coisa por algo… Podemos ter um mundo melhor.

 

Published by Manuel Reis

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