Sharknado 3: Oh Hell No! (2015)

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Ainda pior. Ainda melhor. Há spoilers, cuidado.

Como explicar este paradoxo? Simples. Os filmes do Syfy sempre foram conhecidos por serem francamente maus. Possivelmente terríveis. No entanto, o absurdo acaba por convidar a uma experiência colectiva que pode ser das melhores experiências que poderão ter numa sala de cinema (muitas vezes, o álcool ajuda). E Sharknado 3 não foi excepção. Num terceiro tomo que teve pormenores francamente bons (SHARKS! IN SPACE!) e nos quais se começa a notar alguma preocupação (os créditos iniciais são um mimo visual muito ao estilo de um blockbuster de Hollywood, nota-se um guião ligeiramente mais limpo – ou seja, sem algumas frases absolutamente desnecessárias), Anthony C. Ferrante não se esqueceu do que tornou o filme um sucesso (essencialmente, a cena final do primeiro filme, em que Fin Shepard entra por um tubarão dentro com uma moto-serra e resgata uma das raparigas com mamas do filme) e, tal como em Sharknado 2, potenciou o absurdo a um nível inenarrável. Ou aparentemente não, visto que já conseguiram fazer três filmes.

Algumas notas soltas:

  • Aquilo que rodeia Fin Shepard, personagem de Ian Ziering, está cada vez mais parecido com Johnny, personagem de Tommy Wiseau no péssimo-excelente The Room: Todos o adoram, ele é o maior, é uma excelente pessoa.
  • Mark Cuban, como actor, é um excelente empresário. Nós sabemos disso, ele sabe disso. E este tipo de filme é o único em que Cuban pode ser outra coisa que não ele próprio e ninguém se importa com isso.
  • As mamas da Cassie Scerbo estão de volta. E a Cassie Scerbo também. Cassie Scerbo que, como actriz, é uma excelente modelo.
  • Depois de Fin, Gil. A próxima nova personagem com nome da anatomia de um peixe será chamada de Teeth. Já viram, uma rapariga chamada Teeth? Era gozada para toda a vida.
  • Post Traumatic Shark Disorder.
  • Frankie Muniz a morrer como o Cavaleiro Negro dos Monty Python.
  • Pelo menos uma referência aos Marretas, uma referência ao Armageddon, George R.R. Martin a sofrer aquilo que, para muitos, já merecia.
  • Moto-serra laser. É preciso dizer mais alguma coisa?

Há uns dias li um excerto de um texto do Screen Crush no blog do meu comparsa (e não-familiar) Carlos Reis sobre uma desculpa que se dá em relação a filmes parvos: “Desliga o cérebro e desfruta do filme”, diz-se. Tal como ele (e como o autor do texto), ão posso concordar com isto. Sim, Sharknado é um filme estúpido. É um filme que, supostamente, é feito para não exigir grande esforço mental. No entanto, exige. Exige de nós, telespectadores, um ENORME esforço de suspensão da descrença e de acreditar que a ciência mostrada no filme (um tornado com tubarões causado pelo aquecimento global, tubarões a conseguir sobreviver nas nuvens, “bio-meteorologia”, tubarões – SABE-SE LÁ COMO! – a sobreviver no espaço) existe… Naquele mundinho. No universo criativo de Sharknado, desde que tenha tubarões e alterações climatéricas, Sharknado 3 provou que tudo é possível. E o que nos capacita para fazer essa suspensão da descrença e admirar os novos níveis de parvoíce a que o trabalho de Anthony C. Ferrante chega é, precisamente, o nosso cérebro.

Expectativas para o Sharknado 4? Que a April sobreviva (Sharknado sem Tara Reid não é a mesma coisa e Tara Reid sem Sharknado não é a mesma coisa – até porque a rapariga tem de sobreviver, não é?) e esperar uma justificação “científica”. E que a malta do Today Show sobreviva. Sim, eles foram atacados no final e provavelmente morreram. Mas era fixe se sobrevivessem a todos os filmes. Era um running gag com piada.

Para acabar, uma referência ao passado recente: Comecei um podcast chamado O Que Quer Que Isto Seja (link, iTunes), e no primeiro episódio deram-me a hipótese de conversar com Ian Ziering. Podem ouvi-lo aqui (e obrigado ao Syfy Portugal pela oportunidade).

NOTA: Não vou dar estrelas. Vou usar emojis de uma forma relativamente arbitrária. Porque se der estrelas vocês só ligam às estrelas. E isso não funciona (excepto no Público). Hoje há beterrabas, sendo que o valor que é dado às beterrabas é impossível de converter para estrelas, bolachas, sapos ou outros emojis. Ou seja: Leiam a porra do texto.

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Published by Manuel Reis

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