Cinema/TV? É mais Evento/Não-Evento

A diferença entre cinema e TV está-se a esbater progressivamente. Neste momento, começo a ver isto mais como evento/não-evento. A prova disso mesmo? Três antestreias repletas de pessoas (no Arrábida Shopping, no Colombo e, pelo sétimo ano consecutivo, sala cheia no El Corte Inglés) e, numa escala mais pequena, um pub com dois dos seus espaços particularmente bem preenchidos. A seguir, ficaram para ouvir três idiotas a falar do que acabaram de ver. (Sendo que um desses idiotas sou eu.)

Game of Thrones está confirmada como evento. Aliás, anteontem vi várias pessoas, em Portugal, a perguntar onde podiam ver o episódio. Não “em que canal”, mas em que espaço físico. Quer seja por não terem o Syfy subscrito, quer seja por quererem ver com amigos, quer seja por não o quererem ver sozinhos. Está a acontecer algo que foi tão bem retratado em cenas de um episódio de Dharma e Greg sobre o final de Seinfeld,1 também ele um evento televisivo. Uma situação pouco usual por cá, mas que acontece bastante lá fora em situações pontuais. (Episódios especiais, finais de temporada, de série, etc.)

Se quiserem um sítio para ver os episódios, a Cervetoria vai acompanhar a temporada. E, de duas em duas semanas, estarei lá a gravar este podcast sobre a série. Apareçam!

Obrigado ao Edgar e à Liliana, e à Cervetoria. A Cabeça do Ned está de volta!


  1. S01E22, “Much Ado During Nothing” [YouTube

Episódio 21: [7×01] Dragonstone (com Edgar Ascensão e Liliana Bárcia)

A Cabeça do Ned está de volta com uma gravação ao vivo, surpresas e, como é óbvio, a discussão de Game of Thrones! Neste episódio falamos de “Dragonstone”, a estreia da 7ª temporada da série. Sem spoilers, o que posso dizer? Nada. Têm mesmo de ver o episódio e, depois disso, ouvir a discussão n’A Cabeça do Ned! Com o Edgar Ascensão, dos Posters Caseiros, e a Liliana Bárcia, do Portal das Séries!

Este episódio foi gravado ao vivo na Cervetoria, em Lisboa.

Se desejam assistir ao vivo a outros episódios d’ A Cabeça do Ned, fiquem atentos à nossa página de Facebook ou subscrevam o podcast na Apple Podcasts (iTunes) ou noutras apps de podcasting! Deixem comentários, reviews e sugestões!

#GameOfThrones e #ACabeçaDoNed: é hoje

O dia vai ser giro. A partir das 2h da manhã, fugir aos spoilers até ver o episódio, que deverá ser mais à noite, ainda antes da estreia no Syfy.1 À tarde, antes de ir à antestreia,1 montar as coisas para a gravação. Até ver o episódio, fugir aos spoilers, o que implica desligar-me quase totalmente da internet durante umas valentes horas. No meio disso, estender a roupa, fazer uns telefonemas e ler mais um bocado do livro que ando a ler.

Tenho de agradecer aos que me deixam colar cartazes por aí (e ainda tenho alguns para distribuir): negócios locais à volta do sítio onde vou gravar os episódios. Sítio esse – a Cervetoria, em Lisboa – que também tem pessoas incansáveis a torcer para que as coisas corram bem, mas sem grandes pressões. (O que é fixe, porque assim sou apenas eu a pressionar-me.) E aos que deram apoio nesta fase de lançamento da temporada. Aos contactos dos contactos e amigos dos amigos.

Por isso: Se quiserem ver Game of Thrones em companhia de pessoas, com uma sala reservada exclusivamente para esse efeito e, depois, tiverem paciência para ouvir três tipos a falar sobre o episódio que acabou de dar, venham à Cervetoria (aqui) a partir das 22h e desfrutem. Se não o puderem fazer hoje, façam-no no dia 31 de Julho, ou no dia 14 de Agosto, ou no dia 28 de Agosto. A Cabeça do Ned vai gravar ao vivo em todas essas noites. Para os outros episódios, serão (em princípio) gravações em estúdio, como sempre, na Rádio Zero.

Se forem fãs portugueses de Game of Thrones que gostem de podcasts, espero que ouçam. Aqui, no Sapo, na Apple Podcasts, no Android, na Mixcloud, na SoundCloud ou noutras aplicações que vocês usem.


  1. Não é para me gabar – ok, talvez seja um pouco – mas vou à antestreia. 

Temos de falar das camisolas do Sporting

Mais um ano, mais um lançamento de novas camisolas do Sporting, que vão vender como pãezinhos quentes, independentemente dos gostos. Este ano, devido à gala ter sido marcada para a véspera do aniversário, podem-se aproveitar os equipamentos logo no dia 1 de Julho: mais um dia para vender camisolas, e logo no dia de aniversário do Clube, com muita gente à volta do estádio em actividades e muito dinheiro a ser gasto na Loja Verde (que ainda é no Multidesportivo – mas devemos ter a nova Loja do pavilhão pronta até ao início da nova época). Deste ponto de vista, a mudança da data da apresentação dos equipamentos até acaba por ser uma boa ideia.

Vamos despachar o “chato” primeiro: A Stromp é a mesma pelo 3º ano consecutivo (ou pelo 2º, se quiserem contar a de 2016-17 como sendo diferente da de 2015-16 só porque tem botões em vez de molas e, nas costas, a coroa do emblema em vez do nome do Clube) e a listada é… listada. Muda o desenho da gola. Os bonecos da Macron (com novo logótipo) são pretos. Volta o leão dourado (o melhor pormenor das camisolas 2014-15) nas costas, que são verdes. (Não, não apoio costas listadas. Há problemas de legibilidade.) A Macron ainda não arranjou forma de centrar o logótipo deles na lista, algo que pode perturbar obsessivo-compulsivos. (Chateia-me, mas não me faz ficar a coçar até ficar em sangue.) E, como na época passada, há versão para mulher (mais cintada, gola mais larga). Os equipamentos de GR são diferentes, mas não têm nenhum elemento visual particularmente assinalável. Se quiserem personalizar, o tipo de letra dos números mantém-se o mesmo. (E isso é uma coisa boa.)

Depois, temos aquela camisola alternativa. Lê o resto do post clicando aqui.

Iron Fist T1: Não é totalmente má!

Parti para a mais recente série Marvel no Netflix (e a última antes do crossover The Defenders, dia 18 de Agosto) com várias referências de pessoas que já tinham visto a série e que apenas pararam de a criticar quando já estavam perto do insulto. Por isso, e já alguns meses depois da estreia, vi os 13 episódios com expectativas baaaaaaaixas.

E a verdade é que não desgostei. Não, não está ao nível da 2ª temporada de Daredevil ou da 1ª de Luke Cage (um pouco instáveis, mas com excelentes apontamentos – sendo um deles Mahershala Ali, que também passou por House of Cards e é recente vencedor de um Oscar), e muito menos ao nível da 1ª do Homem sem medo ou da 1ª de Jessica Jones – de longe, a melhor até agora. E também não está ao nível da mais recente colheita de Agents of S.H.I.E.L.D.. (A 4ª temporada teve um arco final fortíssimo e já superou, há muito, os soluços da primeira temporada.)

Iron Fist sofre porque a fasquia foi colocada a um nível muito alto pelas séries que vieram antes dela. Não, nenhum dos actores é particularmente carismático, tal como nenhum dos papéis lhes dá uma capacidade de se destacar naturalmente. Os vilões são pão-sem-sal. Nem sequer os maus da fita, que vão alternando à medida que a temporada avança. (Isso não é necessariamente mau.) O Danny Rand de Finn Jones (o Loras Tyrell de Game of Thrones) safa-se, mas tem momentos de puto mimado. Quando vi a Claire Temple, que tem ligado todas estas séries, respirei de alívio. Também não ajuda ter uma premissa (milionário com pai(s) morto(s) que regressa após x anos em parte incerta onde ganhou capacidades) semelhante à de Arrow, no ar com relativo sucesso há cinco anos. No entanto, nenhum dos episódios me causou enfado. (Como aconteceu em alguns capítulos de Luke Cage.) Se isso compensa o resto das falhas? Não. Mas gostei do ritmo de Iron Fist.

Venham esses Defenders, mas é.

#TaçaPortugalAllianz: Como não transmitir um jogo de futebol

(Hei-de escrever aqui sobre a minha experiência no Jamor. Primeira vez numa final da Taça. E ainda tenho de vos falar do Andebol! Mas hoje não vou falar sobre isso.)

Quem já foi ver jogos ao Jamor sabe que, quanto mais afastado do campo, melhor visão se tem do jogo. E o Jamor, para quem vê na TV, até tem bons ângulos e, de alguma forma, um ideal romântico.

No entanto, a RTP conseguiu estragar todo esse romantismo.

Nas últimas semanas, o Reino Unido tem sido assolado por atentados. Depois do atentado de Manchester, Ariana Grande decidiu juntar vários músicos e fazer um concerto para 50 mil pessoas, para angariar fundos para ajudar no apoio às vítimas (e às famílias das vítimas) do bombista. O concerto organizou-se relativamente depressa, bem como a transmissão televisiva global do mesmo: A Eurovisão (UER) comprou os direitos e distribuiu o sinal aos seus membros, onde está incluída a RTP. Acontece que a RTP1 já se tinha comprometido a transmitir a final da Taça de Portugal Feminina no mesmo dia (4 de Junho), com o jogo a começar às 17h15. Não há problema: a RTP não transmitiria o concerto em directo (afinal, ele também estava a ser transmitido no YouTube) e passava em diferido, a seguir ao filme do Cristiano Ronaldo.

Na noite de dia 3, um ataque terrorista em Londres torna-se na principal notícia e, obviamente, as prioridades dos noticiários mudaram. Não esperava era que as da programação também: a RTP1 decide colar-se à onda mediática e, durante a tarde, decide passar o concerto às 19h.

“Não há crise,” deve ter pensado o génio que fez isto, “afinal o jogo começa às 17h15, tem duas partes de 45 minutos e um intervalo de 15. Acaba às 19h e começamos logo com o concerto.” Quem tomou esta decisão não percebe nada de futebol e também não deve perceber que estava a abrir uma situação de discriminação sexual: Mesmo com o jogo a acabar às 19 horas em ponto, porque raio não iam transmitir a entrega da Taça em directo? Erro 1 – Discriminação face ao jogo da Taça masculina. 1 E, já agora, um jogo desta dimensão (mesmo considerando que o número de adeptos de futebol feminino é menor comparado com o masculino – estou apenas a falar da qualidade das equipas em campo) nunca, nunca iria ter apenas 45 minutos em cada parte e nunca iria acabar à hora “certa”. Para um jogo de futebol devem-se sempre contar duas horas, pelo menos. Erro 2 – Incapacidade de estabelecer horários. E era uma final. Ou seja, há sempre a hipótese de se estender para um prolongamento (2 x 15 minutos, mais pausas antes e entre as partes) e penalties (tempo variável). Uma final tem de ficar sempre com uma margem. Por isso é que começa às 17h15: Estende-se até às 20h, seja com pós-jogo ou prolongamento/penalties, come um bocado do Telejornal, se for preciso. Erro 3 – Incapacidade de esperar o inesperado. Resumidamente: tinha tudo para dar merda.

E não deu apenas merda: Deu merda de uma forma absolutamente espectacular. Como, como é que ninguém na régie da RTP não teve noção daquilo que estava a fazer? Vamos aos exemplos:

84′ de jogo: 19 horas. (Eu avisei.) O narrador do jogo, João Miguel Nunes, refere que se vai interromper a transmissão para passar para Manchester. Isso, RTP. ‘Bora interromper um jogo de futebol para mostrar qualquer outra coisa. A RTP1 decide… Fazer um split screen. Ecrã dividido em dois, barras azuis, de um lado o jogo e do outro o concerto. Som do concerto. Isto dura quatro minutos. Erro 4: Split screen.

O jogo termina empatado, 1-1, segue para prolongamento. (Eu avisei.) Na pausa entre o jogo e o prolongamento, a RTP1 decide ir para Manchester em ecrã inteiro. Algo impensável numa final masculina. (Quanto muito, seria publicidade.) A emissão retoma 5 segundos DEPOIS do pontapé de saída.

Aos 93′, alguém na régie tem uma ideia fantástica: “Meus caros, as redes sociais estão-se a passar connosco, temos de arranjar uma forma de termos as duas coisas no ar!” Resolvem fazer Picture-in-Picture: Um ecrã em cima de um ecrã. Jogo no ecrã principal, concerto num ecrã sobreposto. Som do jogo de futebol. O que faz todo o sentido: como todos sabemos, quem vê concertos gosta de ver a cenografia e os artistas e não quer saber da música. Excelente ideia, estúpidos!

Ora, este rectângulo fica numa posição complicada: Muito elevado em relação às bordas e muito, muito grande. Ora tapa a área na marcação de um canto…

… ora o Robbie Williams a cantar não-sei-o-quê-porque-não-havia-som-do-concerto tapa uma jogadora do Braga a limpar a bola junto à linha lateral…

… ora estava uma jogadora do Sporting a ser assistida e a ser tapada por 50 mil pessoas.

Erro 5: Picture-in-Picture. Como se o rectângulo não bastasse, e porque aquele espaço em baixo estava muito vazio, a RTP decide pôr MAIS UM RECTÂNGULO a dizer que aquilo era um directo de Manchester.

Nós sabemos. E o jogo fica mais tapado. Se eu quisesse ver tantos pop-ups, ia a um site de pornografia. Erro 5.1: Pop-ups. Sim, RTP1. Acabei de vos comparar a um qualquer site manhoso de pornografia. Segundos depois disto, a RTP1 tira o PiP e volta a Manchester em split screen, com som de Manchester. Dois minutos assim.

Livres perigosos? Situações de golo? Nah. Neste momento, a RTP1 estava-se a cagar. Erro 6: o operador de Serviço Público de Televisão estar-se a cagar para o que está a fazer. Começo a acreditar que foi obra do destino o golo da vitória do Sporting (aos 104′) não ter calhado num período em que a emissão estava reduzida a um rectângulo rodeado por azul e pelo Robbie Williams.

E se pensam que não pode piorar… A 2ª parte do prolongamento vai começar, toca a pôr split screen de Manchester.

Pontapé de saída da 2ª parte do prolongamento, concerto em ecrã inteiro na RTP1. 10 segundos depois lá se apercebem da merda que fizeram (desta, pelo menos) e volta ao split screen. Os primeiros 90 segundos são passados assim. Como é possível haver tanta incompetência?

Entretanto, e até ao fim do jogo, não fizeram mais nada. A não ser… transmitir as comemorações iniciais da equipa, ter o João Miguel Nunes a dizer “já voltamos” e passar para publicidade.

E para o Telejornal.

Onde abrem com notícias. E se mantêm. Não voltaram ao Jamor. E não transmitem a entrega da Taça em directo. (Só em diferido, às 20:24 – aliás, é a única referência que fazem ao jogo. O resumo e as entrevistas a intervenientes só passaram no 24 Horas, na RTP3 – mais de 4 horas depois do fim do jogo.

RTP, não vou estar com meias palavras: vocês f*deram isto, à grande. Restam-me várias questões:

  • Porquê a alteração súbita? Ânsia por audiências?
  • Porque não transmitir o concerto na RTP2? Estavam, essencialmente, com repetições. E as séries: Não era por se adiar um episódio uma semana que as 5 pessoas que as vêem atentamente ficavam chateadas.
  • Atendendo a que esta alteração para a transmissão do concerto foi feita hoje: porque não transmitir o concerto na RTP3? Os motivos seriam aceitáveis: seria algo que se enquadrava facilmente na actualidade noticiosa.
  • Porquê esta demonstração de amadorismo e de indecisão sobre o que transmitir? Porquê darem cabo da experiência de visualização de um jogo de futebol?
  • Porquê darem cabo da promoção do futebol feminino em Portugal? Transmitir um jogo desta forma, com interrupções, mostra (e confirma) que não levam isto a sério. Isto seria impensável se fosse na final da Liga dos Campeões ou na Taça masculina; porque raio é que a final da Taça Feminina é diferente? É porque são mulheres? É, não é? É porque são mulheres e vocês estão-se pouco marimbando para o futebol feminino? Vá, admitam lá. Fica-vos melhor admitir do que não dizerem nada, mesmo que a vossa admissão vos coloque numa posição de discriminação sexual.
  • A Federação Portuguesa de Futebol, vai fazer alguma coisa quanto a isto? Protestar? Algum tipo de resolução interna?

Isto vai seguir directamente para Jorge Wemans, provedor do telespectador da RTP. Não vos vou dizer para enviarem um e-mail para provedor.telespectador@rtp.pt. Ainda lhe entupimos a caixa de correio. A sério, não lhe enviem nenhum e-mail. Não lhe queremos estar a causar stress nos próximos dias.

Caso encontre alguma forma de as contactar, também seguirá para a direcção de informação (têm o “pelouro” do desporto) e para a direcção de programação – ou, como é conhecida a partir de hoje, direcção de indecisão.

Já agora: a RTP tem os direitos dos jogos da Selecção Nacional Feminina no Euro 2017. Se houver um mega-concerto de solidariedade à mesma hora de um dos jogos… estamos f*didos.


  1. Isto sem falar dos pré-jogo inexistentes, da promo que se limitava a mostrar faltas e da falta de promoção do jogo desde o momento em que foi dito que o iam transmitir e nem se deram ao trabalho de dizer quem o ia disputar. 

Calma lá com isso de “vamos ganhar a Eurovisão”

Subitamente, o Festival da Canção da Eurovisão (ESC) voltou a ficar popular. O que é que mandámos lá desta vez? Outra música escrita pelo Emanuel? Um cantor pimba que precisa de um jumpstart na carreira? Uma girlsband que já passou o seu auge? Cenas flashy, músicos em playback e coreografias maradas?

Não. Este ano, e para sermos diferentes, mandámos isto.

O alto Salvador Sobral, dono de uma voz particularmente suave, com uma música (escrita pela irmã, Luísa) que se destaca a dois níveis:

  • Cá, pela ternura e pela completa ausência de referências directas ou indirectas a Portugal. É uma balada, tem uma letra triste (mas esperançosa), mas não é nenhum fado, nem tem guitarras portuguesas, nem referências a mar, água ou descobrimentos, nem é nenhuma tentativa de ser pop de 2ª categoria (raramente uma música do Festival RTP da Canção – FRC – nos últimos 20 anos – talvez mais – conseguiu atingir um estatuto radio-worthy).
  • Lá fora, por ser completamente diferente daquilo que actualmente é considerado eurovisivo: glitter, semi-nudez, instrumentos em palco como meros adereços, e um factor freakshow que garante que as coisas fiquem na memória: há uns anos foi a Conchita e a sua barba (vencedora justíssima, já agora), este ano são as passadeiras rolantes da Suécia e o macaco Adriano da Itália.

A música deste ano resulta de uma nova abordagem que foi feita pela direcção da RTP ao FRC: Vamos pegar nos autores da “nova música portuguesa” e pedir-lhes músicas. Não necessariamente músicas eurovisivas, apenas boas músicas. O resultado, de uma forma geral, foi bastante melhor (a nível qualitativo – na minha opinião) do que em anos anteriores. E, curiosamente (e desde que se introduziu por cá o formato 50/50 na votação), esta é provavelmente a canção com o maior consenso geral do público desde… Sei lá, Chamar a Música? O Meu Coração Não Tem Cor?

Isto para dizer que sim, acompanho o ESC e o FRC. Não obsessivamente: Tento ver as galas (faço questão de insistir em ver a final), avalio as músicas de que gosto mais e menos e as performances. Normalmente não ouço as músicas antes de ver a performance na TV. Antes das galas, vão-me aparecendo rankings de casas de apostas nos feeds e sigo por aí quais são as favoritas e quais são as surpresas. Tento-me informar da história dos outros países (a powerhouse sueca, os anos de sucesso da Irlanda, as ajudas à Europa de Leste) para além da única história que nos interessa: em 52 anos e 48 participações, Portugal nunca venceu o ESC. É recorde. Já sinto os outros países a sentirem pena de nós.

Mas, este ano, as coisas até estão a correr bem. O Salvador não se está apenas a safar bem, está a ter uma excelente reacção do público. Foi o concorrente que mais buzz gerou no Facebook nas semi-finais.

Em Portugal, há duas coisas que toda a gente gosta de ver:

  • Um acidente;
  • Algo a correr extremamente bem.

Nesta segunda, há sempre um senão: a malta começa logo com “somos os maiores.” “Vamos ganhar, vamos dar cabo deles, e foi o Eder que os f*deu.” Com tanto entusiasmo, qualquer coisa que não seja a vitória vai ligar as vozes da desgraça. “Para que é que fazemos as coisas se não é para ganhar?” Ao menos não vão dizer “porque é que os mandámos lá, para fazerem figuras tristes?” – está muita gente feliz com a música.

Mas este ano, e com as coisas a correr bem, há (bem) mais gente a ver. A audiência deste ano foi quase o triplo da de 2015, data da nossa última participação (com isto). O que me faz perguntar: onde é que vocês estavam?

A sério, onde é que estavam quando mandámos isto, isto, isto, isto, isto, isto, isto ou isto? Rui Bandeira? Duas – não uma, duas! – músicas escritas pelo Emanuel? Nonstop já sem uma das participantes originais e quatro anos depois de realmente significarem alguma coisa em Portugal? Rita Guerra? 2B, a nossa tentativa (mais do que falhada) de tentarmos fazer algo eurovisivo? E, por muito que goste da música e que tenha votado nela e que a tenha apoiado: onde é que vocês estavam quando enviámos os Homens da Luta?

Ainda tivemos, pelo meio, dois exemplos com algum sucesso: Vânia Fernandes e Flor-de-Lis. Até não eram más, mas caíam naquele primeiro ponto de que falei antes: músicas muito, muito portuguesas (uma a falar de “mar”, outra com sonoridades típicas da música tradicional portuguesa – um pouco como Deolinda). Mas nenhuma teve este tipo de apoio, este tipo de buzz positivo, de ter um país a torcer para que dê.

Muita gente voltou a lembrar-se da existência dos dois festivais. Mérito para a nova abordagem da RTP e para a sorte que tivemos em ter esta música a vencer. E, amanhã, vai estar muita gente agarrada ao ecrã. Nos sites de apostas, a disputa pelo primeiro lugar está renhida. Nos últimos dias andámos a trocar lugares com a Itália. O entusiasmo é tanto que há imensos (demasiados?) OCSs a dizer “ESTAMOS EM PRIMEIRO!” sempre que um site de apostas nos põe em primeiro lugar. Acalmem-se lá.

Se acredito que dê para ganhar? Estou muito céptico. I mean, a Itália tem um tipo vestido de gorila. Mas não me lembro de alguma vez ter visto Portugal tão perto da vitória. Vamos ao top 10. Talvez top 6. Daí para cima… É-me difícil analisar.

Se ganharmos, vou fazer por ser um dos espectadores ao vivo no mega-espectáculo que organizarmos. Se não ganharmos, não quero ouvir as vozes da desgraça. Não somos uma merda. Valemos alguma coisa. Isso há-de ficar demonstrado. Evoluímos muito nos últimos 20 anos. Lembrem-se: Rui Bandeira.

(Foto: Thomas Hanses, eurovision.tv)

Um Conto de Dois Sportings

Foi o pior que vi, foi o melhor que vi, foi a era da preguiça, foi a era do sacrifício, foi a época da incredulidade, foi a época da crença, foi a temporada da falta de noção, foi a temporada do amor e da paixão, foi o Inverno do desespero, foi a Primavera da esperança, não tivemos nada que se aproveitasse, temos muito para aproveitar, deviam ter visto o jogo delas, deviam ter sido vistas por eles – em suma, um jogo foi tão distinto do outro, que o que devia ter mais importância, para o bem ou para o mal, não o foi visto dessa forma.

Perdoem-me a pobre adaptação de Dickens, mas foi o que se viu no Estádio José Alvalade hoje.

De manhã1, um Sporting que, não tendo (realisticamente) nada para disputar senão fazer por atacar o 2º lugar e tentar o apuramento directo para a Liga dos Campeões (difícil, mas não impossível) e que se tem apresentado como estando já a pensar na próxima época, mostra-nos um dos piores jogos que vi na minha vida, um jogo que marca o fim de 62 anos do Belenenses sem ganhar na condição de visitante (nunca tinha ganho em nenhum dos Estádios José Alvalade, vejam bem), e o fim de um ciclo de sete derrotas consecutivas para os azuis do Restelo.

Nas substituições, quem é que JJ decide pôr em campo? Joel “festejo um golo de empate no último minuto de compensação como se tivesse ganho a Champions” Campbell e Luc “Hernán Barcos versão 2017” Castaignos. (Sinceramente, nem achei esta entrada assim tão má – ele ajudou no desbloqueio do jogo no Restelo, atraindo os defesas azuis e dando espaço ao Bas Dost para marcar.) Nem pego na entrada do Geraldes, acho que ele ainda tem que melhorar mais um bocado (ainda está um bocado verde – pun not intended) e que há demasiado hype (muito jornal, muita tentativa de mediatismo) à volta dele. O Sporting desta época está demasiado dependente de certos jogadores. Se um ou dois faltam, está o caldo entornado. (Foi assim com Adrien, foi o drama de se arranjar um substituto de jeito para William.)

O pior disto tudo? Vê-los, a seguir ao jogo, felizes da vida, a partilharem fotos em iates ou mais preocupados em cumprir acordos de patrocínios por causa do Dia da Mãe. Há jogadores ali que eu sei que são francamente bons e que já demonstraram isso no passado (p.e.: Bryan Ruiz, William), mas que desapareceram do mapa (Ruiz desapareceu do mapa após o falhanço contra o Benfica, William perdeu velocidade após o Euro). No geral, há demasiada apatia perante os adeptos. Nem tiveram tomates para ir à Curva Sul (e o Geraldes bem os esteve a puxar).

Não sei até que ponto é que os jogadores da equipa de futebol sénior masculino do Sporting se apercebem que, para além do simbolismo e do peso da camisola e yada yada yada… Para além disso tudo, carregam o entusiasmo dos adeptos às costas. Num país que só liga ao futebol para inferiorizar os outros (não, não existe cultura desportiva em Portugal, muito menos futebolística), e mesmo sendo o Sporting um Clube eclético, é sempre o futebol que move montanhas e públicos e é sempre o futebol que entusiasma 70%/80% do público.2 E isso vê-se quando falamos do outro Sporting.

O outro Sporting, o melhor Sporting, O Sporting, foi aquele do qual uns quantos milhares fugiram3 envergonhados com a derrota. Os 6500 que assistiram à equipa feminina podiam ter sido o dobro, caso a equipa masculina tivesse feito o seu trabalho. A entrada era gratuita, o dia estava bonito, o Campo Grande estava óptimo para se apanhar um sol ou para uma sesta à sombra das árvores (em vez de ser a meio de uma partida de futebol, no meio do estádio), excelentes condições para passar o tempo entre jogos.

Não foi o melhor jogo delas: nota-se o cansaço acumulado da época (não ajuda Nuno Cristóvão não ter feito qualquer substituição, mas respeito a decisão) e o Valadares apresentou-se bem organizado. O domínio do Sporting foi absoluto, mas só se aproveitou um golo, da Diana Silva. Ana Borges esteve a mostrar porque é que merece ser considerada a melhor jogadora portuguesa da actualidade, com a assistência para o golo e a criação de jogadas rápidas pelo corredor direito. Por vezes embirro com ela (lembra-me o Nani, tanto para o bom como para o mau), mas é inegável não falar do quão importante ela tem sido para a equipa (foi ela que sofreu a falta que nos deu o pénalti frente ao Braga).

Se querem pôr fichas em alguma equipa do Sporting, o futebol feminino pode-se juntar facilmente ao Futsal. Tenho acompanhado o nascimento e crescimento deste projecto e as diferenças no entrosamento da equipa são notórias, desde o jogo de apresentação contra o SC Huelva, da 1ª Liga Espanhola (em que a equipa já tinha dado bons sinais) até agora. Jogam futebol por amor ao jogo e várias delas vivem e sentem o Sporting desde pequenas. Numa época em que se queria estabelecer as bases e lutar pelo título, estão agora a 3 pontos de o conseguir vencer e estão a um jogo da final da Taça de Portugal (4 de Junho, Jamor). No próximo domingo, sugiro-vos que passem no campo do Estoril Praia, onde se joga a 2ª mão da meia-final. (Estamos a ganhar 2-0.) Se estão no Porto (ou à volta), passem no fim-de-semana a seguir (em princípio no dia 20) pelo antigo estádio do Inatel, para o jogo (contra o Boavista) que pode garantir o primeiro campeonato às seniores femininas – e, encaremos o facto, o primeiro campeonato do futebol sénior do Sporting em 15 anos.

Nota final para o relvado, talvez o melhor pormenor do dia: nunca, em outros anos, se podia pensar em ter um double-header no estádio. Se já parecia um batatal, era da maneira que se tornava um batatal. Mas este ano, e com a remodelação completa do relvado (rega, drenagem, terra), já se pode dizer que a culpa dos maus resultados não é da relva. Não esperava que reagisse tão bem a dois jogos seguidos. (Provavelmente só reagiu bem porque no primeiro jogo não comeram a relva…) No final do segundo jogo a relva já estava a ficar um pouco seca (o sol não perdoou) mas, de resto, já dá para dizer: TEMOS RELVADO!


  1. Gostei da ideia do jogo ser feito de manhã. Mas, como isto é o Sporting, há uma lógica envolvida: se corre bem da 1ª vez, continua (mesmo que deixe de ser especial); se corre mal, nunca mais se faz. E dá-me pena: É um excelente horário para trazer famílias a Alvalade e até gente de fora de Lisboa, que, vindo a esta hora, consegue garantir uma hora de regresso a casa satisfatória. E é uma excelente hora para garantir que se joga com a luz do dia e que as bancadas estão à sombra! Os adeptos agradecem! 
  2. Olhómetro. 
  3. Os que estavam a pensar passar lá o dia – afinal, era Dia da Mãe e obviamente que há pessoas com planos para lá do Sporting. 

42

Algumas mudanças por aqui:

  • O blog passou a estar em http://42.manuelreis.pt.
  • O manuelreis.pt, numa primeira fase, redirecciona para o blog. Numa segunda, será uma landing page para algo a definir.
  • O feed principal d’ A Cabeça do Ned (o que alimenta o iTunes, as subscrições noutros podcatchers) passou a ser publicado a partir daqui, bem como o de futuros projectos que aí venham (ideias não faltam, falta tempo e organização).

Os social media estão a ficar com demasiada gente mesquinha, rude, mal-formada, com trocas de ideias cada vez menos saudável. E isso acaba por, de alguma forma, me afectar a cabeça. Há quem se consiga desligar mais facilmente, há quem não se consiga desligar tão facilmente. (Eu faço parte do 2º grupo.) Já pensei em afastar-me do Facebook e do Instagram durante uns tempos. Até do Twitter. (E o meu amor pelo pássaro azul está mais do que declarado.)

Este espaço acaba por ser necessário. Há ideias que não podem ser expressas em 140 caracteres, que precisam de desenvolvimento. «Então vai para o Facebook,» dizem vocês. E eu complemento: o Facebook é facilmente dismissable, ou seja, é fácil desvalorizar o que se publica por lá. Sim, há muita gente que se ajuda com posts no Facebook (acolher cães abandonados, recuperar bens roubados), e isso é óptimo. Mas o alcance das publicações é cada vez menor e o nosso feed está cada vez mais cheio de parvoíce – seja graças a insultos, clickbait, comentadores de notícias em jornais que descobriram os comentários do Facebook (insultos) ou demagogia.

Por isso, pela falta de formatação para dar inflexão ao texto (e por outras razões que não vale a pena explorar aqui – this is the internet, after all), quero o meu espaço. Logo à partida, digo-vos já que os comentários são moderados (mas não se coíbam de os fazer). Sim, os posts estão preparados para irem para os social media. (Shoutout para o Marco Almeida e para o seu plugin – básico, versátil e eficaz.) Vou falar (principalmente) de TV, Cinema e Sporting, com posts ocasionais (como este, mais pessoal) sobre outras coisas. (Livros? Comida? Tecnologia? É o que der.)

Bem-vindos ao 42.


Porquê o nome? Porquê “42” (ordinal ou por extenso)?

Isto de ter um domínio próprio é muito giro. Mas é mais vaidade do que outra coisa. É uma tentativa de ter isto ligado aquilo que é a minha vontade de vanity URLs na redes sociais (no Twitter, no Facebook e noutras a que chegue a tempo de o fazer). Por isso, surgiu a vontade de ter um blog com um nome. Que nome? 42.

Não, não é 42 por causa do enorme (jogador, activista, etc.) Jackie Robinson, embora um dos temas que aqui queira explorar seja desporto (com especial foque no Sporting). Aliás, no futebol o número 42 é considerado tão alto que, geralmente, não é atribuído a nenhum dos jogadores de topo da equipa (o único caso de que me estou a lembrar actualmente é o do Yaya Touré, do Manchester City). E não, não sou fã em particular do Wallyson Mallmann (que mantém o número, agora no Moreirense).

O 42 vem da resposta à Pergunta Derradeira Sobre a Vida, o Universo e Tudo o Resto, conceito apresentado em À Boleia Pela Galáxia (série de rádio, livro, série de TV, filme). Douglas Adams apenas escolheu o 42 porque sim, sem motivo específico. Como o próprio disse:

«A resposta para isto é muito simples. Era uma piada. Tinha de ser um número, um número ordinário e pequeno, e eu escolhi aquele. Representações binárias, base 13, monges tibetanos, isso é tudo absurdo. Sentei-me à secretária, olhei para o jardim e pensei ’42 serve’. Escrevi-o. Fim da história.»

A verdade é que a escolha (aparentemente inocente) de Adams tem vários significados na matemática (p.e., é a soma dos 6 primeiros números pares) e até na literatura, antes do Hitchhikers’ (Lewis Carroll, autor de Alice no País das Maravilhas, também tinha uma ligeira obsessão com o número).

Mas como é que a minha obsessão começou?

Quando compro/me oferecem camisolas de clubes, gosto (se for possível) de as personalizar. Tenho duas camisolas da selecção com o nome do Figo e o 7. Ele era o meu jogador preferido (ainda é – e sim, sei da existência do CR7). Mas ele tem-me desiludido como pessoa, nos últimos anos (não vou entrar em detalhes). Decidi passar a personalizar as camisolas com o meu nome. E número. E tive de escolher um número. 42. Vamos juntar o meu lado de adepto e o meu lado nerd num só lugar. E já vão 3 camisolas.

(Eu sei, a explicação pode parecer bastante básica ou estranha, mas é a explicação.)

24: Legacy T1: Mais valia terem estado quietos

Eu sou um grande fã de 24. Foi a primeira série que segui a sério (estou ciente do pleonasmo, vamos continuar). Foi das primeiras séries que comprei em DVD (estou ciente de que foi um péssimo investimento). Entre 2001 e 2010 fizeram oito temporadas, cada uma com 24 episódios, cada um a cobrir uma hora do dia. O conceito é interessante, relativamente bem explorado (numas temporadas mais do que noutras) e Kiefer Sutherland marcou a história da ficção com o seu Jack Bauer.

No entanto, a série foi tendo alguns percalços na produção: quando a greve dos guionistas de 2007-08 aconteceu, fizeram um filme para ligar as temporadas 6 e 7 (24: Redemption), e adiaram esta temporada um ano, para exibirem todos os episódios de seguida. A seguir à 5ª temporada (a minha preferida), senti que se encostaram à sombra da bananeira. A série acabou em 2010, com o seu legado marcado. Mas depois fizeram mais episódios, com uma 9ª temporada, encurtada para 12 capítulos, chamada Live Another Day. Eu comi e gostei. Até tinha comido mais.

O que quero dizer com isto tudo? Bem, no ano passado anunciaram o regresso da série nos mesmos moldes de Live Another Day, com 12 episódios. Mas sem Jack Bauer. Praticamente sem personagens da série original. E eu vi, porque é 24, mesmo que não seja a 10ª temporada de 24 e seja a primeira de 24: Legacy. Mesmo que o relógio seja azul e não amarelo (os créditos também mudaram de cor). É tudo estranhamente familiar: o toque dos telefones da Cisco, o ritmo, o split screen. Mas isso não salva a série de ser apenas um grande e enorme meh. Os personagens são desinteressantes (a liderar este top está Teddy Sears, que nunca foi um actor extraordinário), a forma como falam é antiquada (Bucatinsky, estou a olhar para ti), os callbacks ao passado são ou demasiado directos e óbvios (no caso da prima de Edgar Stiles) ou extremamente subaproveitados (até parece que o regresso de Tony Almeida foi anunciado apenas para as pessoas verem a série). A única referência a Kiefer Sutherland (que está a fazer Designated Survivor, na ABC/Netflix) é um crédito de produtor executivo (tradução: $$$). As sequências de acção estão bem feitas, mas muito do que acontece é extremamente previsível. Mesmo assim, conseguiram fugir ao facilitismo de terem um infiltrado na CTU, Miranda Otto nem esteve assim tão mal e até me fizeram gostar do Jimmy Smits. Em suma, é a pior das 10 temporadas de 24, mas a melhor de 24: Legacy.

Puxando a famosa frase de uma das outras séries que a FOX insiste em não manter enterradas: eu quero acreditar que a história de Jack Bauer não acabou. Já a de Eric Carter pode ficar por aqui.